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Associação de Jornalismo Investigativo cobra punição de PMs por violência

Abraji condena ataques da PM a repórteres: 'impedir o repórter de realizar seu trabalho é violentar toda a sociedade'

14 jun 2013
14h15
atualizado às 14h19
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A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou uma nota nesta sexta-feira condenando veementemente os "ataques deliberados da Polícia Militar à imprensa" durante o protesto de quinta-feira contra o aumento da tarifa de transporte coletivo em São Paulo. O texto exigiu punição aos policiais autores dos abusos. "A Abraji cobra dos responsáveis que os agentes envolvidos nas agressões físicas contra repórteres e manifestantes sejam identificados e punidos."

<p>O fotógrafo Sérgio Silva, da Futura Press, foi atingido pela PM no olho esquerdo</p>
O fotógrafo Sérgio Silva, da Futura Press, foi atingido pela PM no olho esquerdo
Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

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O órgão também cobrou que as autoridades estaduais esclareçam os motivos da violência policial registrada na manifestação. "A Abraji também espera uma explicação oficial da Secretaria de Segurança Pública para a prisão de todos os jornalistas detidos."

"Impedir o repórter de realizar seu trabalho é violentar toda a sociedade; é atentar contra a democracia", diz a nota. "Pelo menos quinze jornalistas foram feridos pela Polícia Militar durante a manifestação dessa quinta-feira. Outros dois repórteres foram detidos", afirmou a Abraji.

Jornalistas agredidos e presos por PMs
Vários repórteres e fotógrafos que cobriam o protesto na noite de quinta-feira foram presos ou agredidos por policiais militares enquanto trabalhavam. O repórter do Terra Vagner Magalhães levou um golpe de cassetete no braço por um PM, no vão-livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Vagner alertou os policiais que é repórter e que estava trabalhando no local, mas foi agredido. Os PMs ainda lançaram bombas sobre um grupo de jornalistas que partiu em sua ajuda.

O fotógrafo do Terra Fernando Borges também foi detido enquanto cobria a manifestação nesta tarde. Ele portava crachá de imprensa, equipamento fotográfico de trabalho e se apresentou como jornalista, mas foi levado pelos policiais. Fernando passou 40 minutos detido junto com outros manifestantes, de frente para a parede, com as mãos nas costas e a cabeça baixa, mas foi liberado.

Os policiais revistaram os pertences e documentos dos detidos, e só liberaram o fotógrafo alegando que ele "não portava vinagre", que é usado como "antídoto caseiro" contra os efeitos da bomba de gás lacrimogêneo. Alguns profissionais de imprensa utilizam o produto para conseguir trabalhar registrando as imagens do protesto.

A repórter do Terra Marina Novaes tentou fugir das bombas lançadas pela polícia e se refugiou na garagem de um prédio próximo à praça Roosevelt, junto de um grupo de outras pessoas. A polícia isolou a área e levou o grupo para o camburão. Retida, ela só foi dispensada depois que se apresentou como jornalista.

O repórter Piero Locatelli, da revista CartaCapital, também foi detido. Segundo a publicação, ele foi preso enquanto fazia a cobertura das manifestações.

O repórter Henrique Beirang, do jornal Metro, foi atingido por um jato de spray de pimenta enquanto cobria a manifestação. "Jogaram spray de pimenta de forma aleatória contra os jornalistas. Isso é um absurdo. A gente está aqui trabalhando", protestou.

O jornal Folha de S. Paulo anunciou que sete repórteres da empresa foram atingidos, e dois levaram tiros de balas de borracha no rosto durante o protesto. Segundo o veículo, os jornalistas atingidos com tiros são Giuliana Vallone e Fábio Braga.

O fotógrafo Sérgio Silva, da agência Futura Press, foi atingido por uma bala de borracha no olho esquerdo e está internado. Segundo a mulher dele, a jornalista Kátia Passos, ele tem poucas chances de recuperar a visão no olho ferido.

Terra

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