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Aposentado é expulso de Marcha com Deus por vestir vermelho

Manifestante foi "acusado" de ser petista por trajar calça e tênis vermelhos durante evento em São Paulo. Em outro ponto, jovens fãs de Metallica foram confundidos com black blocs e xingados de "lixo"

22 mar 2014
16h58
atualizado em 23/3/2014 às 00h13
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Com gritos de "Fora, Lula" e "Dilma safada", cerca de 1 mil pessoas realizaram a Marcha da Família com Deus, na região central de São Paulo, no final da tarde deste sábado. O número não representou nem 1% do total de 500 mil pessoas que, segundo estimativas da época, compuseram a marcha de 1964, na praça da Sé, dias antes de o presidente João Goulart ser deposto para a instalação de uma ditadura que se estenderia até 1985.

<p>Manifestante foi cercado e chamado de "comunista" e "petista" durante o evento</p>
Manifestante foi cercado e chamado de "comunista" e "petista" durante o evento
Foto: Renato Mendes / Futura Press

Inicialmente em aproximadamente 400 pessoas, o grupo se concentrou na praça da República e, por volta das 16h20, saiu em caminhada em direção à praça da Sé --onde outro grupo se concentrava para a Marcha Antifascista e começava caminhada em direção à antiga sede do Dops (sigla para Departamento de Ordem Política e Social, órgão de repressão da ditadura).

Houve tumulto já na praça da República. Manifestantes se insurgiram contra pessoas que acusaram de ser "comunistas" ou "petistas". Um aposentado que usava calça e tênis vermelhos foi expulso da marcha, pois, segundo seus algozes, seria do PT. "Sou a favor do Brasil acima de tudo, independentemente de qualquer partido político. Se um dia for preciso, defendo intervenção militar", declarou o aposentado hostilizado, que se identificou apenas como Walter.

Na confusão, o fotógrafo Leonardo Martins, 25 anos, da agência Frame, acabou agredido quando um manifestante bateu em sua câmera., Com o golpe, o equipamento atingiu e feriu a testa de Martins. "Eles começaram a cercar uma pessoa e, quando vi, estavam em cima de mim", relatou. Ninguém foi preso no episódio.

Durante a marcha, os manifestantes gritavam palavras de ordem como "Deus, pátria e família" e "Verde e amarelo contra a foice e o martelo", estes, símbolos da bandeira do Partido Comunista. Boa parte carregava a bandeira do Brasil ou se vestia com ela, enquanto o Hino Nacional tocava repetidamente. Nas proximidades da rua Xavier de Toledo, eles cruzaram com jovens vestidos de preto, que se encaminhavam para o show da banda Metallica. Confundidos com black blocs, os jovens, que seguiam para a estação de metrô Anhangabaú, foram xingados de "lixo" e quase apanharam.

Na caminhada para a Sé, pouco depois de passarem pelo Viaduto do Chá, alguns manifestantes se irritaram com dois homens vestidos de mulher e com cartazes que ironizavam a marcha, nos quais se lia "Marcha praticamente da família". Os jovens foram expulsos da multidão e tiveram os cartazes destruídos.

Fonte: Terra

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