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Apoio às manifestações cai em São Paulo, aponta pesquisa

15 set 2013
08h39
atualizado em 16/9/2013 às 12h11
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Uma pesquisa do Datafolha mostra que, embora a taxa de aprovação aos protestos de rua em São Paulo continue alta, a parcela dos paulistanos que afirma ser contra as manifestações quase triplicou no intervalo de dez semanas: 21% da população da capital desaprova os protestos. Em um levantamento similar em 27 e 28 de junho, logo após o auge das grandes passeatas, os que declaravam contrariedade somavam 8%. O uso de máscaras por parte dos manifestantes também provoca um grande sentimento de antipatia: 89% são contra o uso da peça e 9% a favor. No sentido inverso, a aprovação aos protestos caiu 15 pontos percentuais. Antes, 89% afirmavam ser a favor dos atos. Agora são 74%. As informações foram publicadas no jornal Folha de S. Paulo.

<p>Segundo pesquisa, 21% da população da capital paulista desaprova os protestos</p>
Segundo pesquisa, 21% da população da capital paulista desaprova os protestos
Foto: Fernando Borges / Terra

O índice de opiniões favoráveis é maior entre os homens (77% a 70%); atinge seu pico entre os mais jovens (84% no grupo dos que têm 16 a 24 anos); e cresce conforme aumenta a renda e a escolaridade dos entrevistados. O Datafolha voltou a perguntar na pesquisa de quarta-feira sobre o comportamento de manifestantes e policiais. Para 78%, os manifestantes estão sendo mais violentos do que deveriam, índice idêntico ao apurado em um levantamento feito em 13 de junho. Na opinião dos entrevistados, o que pode ter aumentado foi a violência policial. Antes, 40% achavam que os policiais eram mais violentos do que deveriam. Agora, 45% pensam assim. O uso de armas com balas de borracha pela polícia também é reprovado: 59% são contra, 38% são a favor. O Datafolha ouviu 832 pessoas. A margem de erro é de três pontos para mais ou para menos.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus . A mobilização surtiu efeito e o aumento foi temporariamente revogado . Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas – o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia .

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos . Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São Paulo , Rio de Janeiro , Curitiba , Salvador , Fortaleza , Porto Alegre e Brasília .

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades , mas o movimento não deve parar por aí. "Essas vozes precisam ser ouvidas", disse a presidente Dilma Rousseff , ela própria e seu governo alvos de críticas.

Terra

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