Cidades

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22 de janeiro de 2011 • 10h46 • atualizado em 23 de Janeiro de 2011 às 08h45

Ainda há moradores isolados em Teresópolis 10 dias após desastre

Em Nova Friburgo, moradora agradece ao receber galões de água de helicóptero da Marinha
Foto: Alexandro Auler / Especial para Terra

Dez dias depois da enxurrada que arrasou municípios da região serrana do estado do Rio, ainda há pessoas isoladas e que dependem unicamente do transporte aéreo para garantir a sobrevivência. Uma das localidades mais afetadas pelos deslizamentos de terra é Santa Rita, distrito distante cerca de 30 km do centro de Teresópolis. As estradas de acesso à pequena comunidade foram cobertas por toneladas de lama, pedras e árvores na madrugada do dia 12.

Para as famílias que moram em Santa Rita, a ligação com Teresópolis é feita por helicópteros, que ajudam no resgate de doentes ou feridos. Por trilhas também é possível chegar a pé, levando comida, água remédios e outros mantimentos. Quando avistam aeronaves, os moradores abanam e começam a agitar lençóis brancos, na esperança de serem atendidos. Instantes depois dos helicópteros tocarem no solo, a carga é retirada com rapidez. "Nós ficamos sem comida e sem água. Estamos ilhados desde o dia do temporal", vibrava Sônia Maria Ferreira. "Eles estão salvando nossas vidas", completava a vizinha Maria Aparecida de Oliveira, mãe de cinco filhos.

Sem perder tempo, as aeronaves decolam, pois nuvens pesadas indicam que mais chuva se aproxima. Em seguida, um dos helicópteros, que decolou com 500 kg de mantimentos, pousa novamente, desta vez em uma região ainda castigada pela enchente, onde casas que ficavam às margens de um riacho agora estão no meio do curso d'água, formando uma ilha.

Ali também os moradores logo aparecem, passando por pontes improvisadas, pois sabem que os helicópteros trazem a garantia de sustento. Do alto é possível ver o porquê do isolamento: as estradas que ligam os sítios à cidade continuam intransitáveis. Máquinas e tratores ficam pequenos diante do tamanho dos deslizamentos, indicando que ali ainda serão necessários muitos dias de trabalho incessante para liberar o caminho.

A maior parte das aeronaves decola de um campo de futebol transformado em base aérea integrada. O comando da operação, que conta com seis helicópteros, é do major da Força Nacional de Segurança Roberto do Canto. Com 23 anos de Polícia Militar do Rio Grande do Sul, Canto reconhece que esta é a maior missão de sua carreira. "Essa missão, com certeza, é a mais complexa. A maior em termos de tragédia e a que demandou maior concentração de esforços e integração entre vários órgãos. A experiência é muito válida para que a gente possa, cada vez mais, ir aperfeiçoando a forma de atuar, em conjunto, entre inúmeras forças", afirmou Canto.

Os seis helicópteros fazem cerca de 120 missões diárias de socorro e resgate. São duas aeronaves do governo de São Paulo, uma do governo do Paraná, uma da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), uma do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e uma da Secretaria de Segurança do Estado do Maranhão, que voou 12 horas e precisou pousar cinco vezes para reabastecer antes de chegar em Teresópolis.

Chuvas na região serrana
As fortes chuvas que atingiram os municípios da região serrana do Rio nos dias 11 e 12 de janeiro provocaram enchentes e inúmeros deslizamentos de terra. As cidades mais atingidas são Teresópolis, Nova Friburgo, Petrópolis, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), choveu cerca de 300 mm em 24 horas na região.

Veja a Praça do Suspiro, em Nova Friburgo, antes e depois da chuva, arrastando a seta à esquerda da foto

Veja onde foram registradas as mortes

Agência Brasil