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A pedido de deputado, juiz proíbe Marcha da Maconha em Curitiba

18 mai 2011 20h29
| atualizado às 20h35
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Roger Pereira
Direto de Curitiba

O juiz Pedro Luis Sanson Corat, da Vara Central de Inquéritos de Curitiba, proibiu na tarde desta quarta-feira a realização da Marcha da Maconha na capital paranaense, previamente marcada para o próximo domingo. A ação que resultou na decisão liminar foi proposta pelo deputado estadual Leonaldo Paranhos (PSC), integrante da chamada bancada evangélica da Assembleia Legislativa do Paraná.

Cerca de 500 pessoas, a maioria jovens, participaram da Marcha da Maconha, na zona sul do Rio
Cerca de 500 pessoas, a maioria jovens, participaram da Marcha da Maconha, na zona sul do Rio
Foto: Alessandro Buzas / Futura Press

Paranhos alegou que a marcha seria uma apologia ao uso de drogas e poderia acabar incentivando o uso de outros entorpecentes além da maconha. "A maconha é apenas a porta de entrada para outras drogas. Se ficarmos quietos agora, de forma omissa, daqui a pouco vai ter marcha da cocaína, do crack, da pedofilia", afirmou. "Não podemos viver de modismo, achando que como deu certo em outros países vai dar certo aqui também", completou a deputada Mara Lima (PSDB), também da bancada evangélica.

Os organizadores do evento se defendem alegando que a marcha pretende apenas abrir a discussão sobre o assunto perante a sociedade, sem fazer apologia. "A Constituição Brasileira defende a liberdade de expressão e só queremos abrir o debate, inclusive com opiniões contrárias. Por isso, os deputados estão convidados para participar, trazendo seus questionamentos", disse um dos organizadores do evento em Curitiba, o publicitário e empresário Shardie Casagrande.

Ele informou que prepara recurso para tentar derrubar a liminar e garantir a realização da manifestação. "Não há nenhuma substância na maconha que faça com que o organismo tenha necessidade de consumir outras drogas. Quando alguém passa de uma para outra é porque o traficante oferece. É por isso que é importante discutirmos o assunto", afirmou. Casagrande disse que, mesmo que os organizadores não consigam cassar a liminar, a concentração está mantida para as 15h de domingo, na Praça Santos Andrade, nas escadarias do prédio histórico da Universidade Federal do Paraná. "Nem que transformemos o ato em uma manifestação pela liberdade de expressão", disse.

Para o próximo final de semana, estão previstas edições da Marcha da Maconha também em São Paulo, Porto Alegre e Recife. Neste ano, a manifestação já foi realizada no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Vitória.

Fonte: Especial para Terra
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