publicidade
07 de fevereiro de 2014 • 18h53 • atualizado às 20h00

Imagens de cinegrafista da Band podem revelar autor de explosão no RJ

Delegado que cuida do caso pede ainda depoimentos de profissionais de imprensa na tentativa de identificar o suspeito de acender artefato

Polícia mostra rojões similares ao que teria atingido o câmera
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
  • André Naddeo
    Direto do Rio de Janeiro
 

A Polícia Civil do Rio de Janeiro já está de posse das imagens feitas pelo cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Ilídio Andrade, atingido na quinta-feira gravemente por um artefato explosivo durante a manifestação contra o aumento do preço da passagem de ônibus municipal, no centro da cidade. 

De acordo com o delegado titular da 17º DP (São Cristóvão), Maurício Luciano, que está à frente das investigações, "o próprio Santiago pode ter feito uma panorâmica (antes da explosão) e ter gravado o autor do crime. A gente está analisando". Imagens da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), do Comando Militar do Leste (CML), da prefeitura e da própria Supervia também auxiliarão na busca, ao menos, pela fisionomia da pessoa que acende o rojão. 

No entanto, Maurício Luciano explica que será difícil identificar plenamente o suspeito nessas imagens de circuito da Prefeitura, do CML e da CET-Rio, pois, pelo que já foi analisado, "as imagens estão muito abertas, sem zoom, só uma panorâmica da praça e não dá para individualizar a conduta". 

Desta forma, ele pede para que profissionais de imprensa que presenciaram o momento da explosão, como os jornalistas da rede britânica BBC, por exemplo, deem o seu depoimento, em anonimato, para auxiliar as investigações. "Tem o mesmo valor de uma prova técnica. Se um cinegrafista ou jornalista visualizou o momento que essa pessoa deflagrou (o artefato), isso já basta para gente", disse. A repórter Fernanda Corrêa, que acompanhava Santiago no momento da explosão, já prestou depoimento auxiliando as investigações. 

A Polícia Civil também está em busca de imagens nas redes sociais na internet em busca de alguma publicação que ajude na elucidação completa dos fatos e na captura desse suspeito, que responderá por tentativa de homicídio qualificado mediante uso de explosivo, mais crime de explosão por causar perigo para as pessoas. A pena pode chegar a 35 anos de reclusão, somados os dois artigos.

Sem dúvidas
Ainda de acordo com a Polícia Civil, não existem dúvidas de que o rojão que atingiu no rosto o cinegrafista da Bandeirantes trata-se de um artefato vendido livremente em lojas de fogos de artifício. Portanto, não foi algo utilizado pelas forças de segurança pública que atuavam na manifestação. 

Segundo Ellington Cacela, especialista do esquadrão antibombas da tropa de elite da Polícia Civil fluminense, trata-se desse tipo de rojão, que é chamado de rojão de vara, ou treme terra. "Foi um artefato pirotécnico que atingiu e vitimou o cinegrafista da Bandeirantes". 

Especialista do esquadrão antibombas mostra fragmentos do artefato, retirados do local da explosão
Foto: André Naddeo / Terra

Ainda de acordo com Cacela, o artefato tem cerca de 60 gramas de pólvora e, antes de ser deflagrado, conta com um pavil que alimenta um propulsor antes da explosão final. É exatamente o que mostra, por exemplo, a sequência de fotos do jornal O Globo, na qual aparece nitidamente o objeto aceso no chão antes de ele tomar o caminho junto ao rosto de Santiago Andrade.

"Fizemos um teste de controle no esquadrão antibombas, fomos ao hospital ver a natureza das lesões, e nos levou a saber que foi esse fogo de artifício", disse Cacela, salientando também que esse tipo de explosivo, além de autorização prévia da norma R105, do Exército, só pode ser solto com o auxílio de uma vara de pelo menos um metro de comprimento e afastado ao menos 30 metros de onde circulam pessoas.

"É uma onda de pressão muito grande", afirmou. Essa onda de pressão, ou o forte deslocamento de ar, foi o que vitimou o cinegrafista. A roupa do profissional da TV Bandeirantes foi recolhida para perícia, bem como fragmentos do explosivo foram retirados, nesta sexta-feira, do local para auxiliar na elucidação do caso. 

Terra