Entidades condenam agressões a jornalistas em protestos no Brasil

atualizado às 22h03
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Representantes de quatro associações de jornais e empresas de comunicação condenaram nesta segunda-feira os ataques a jornalistas em todo o País desde o início das manifestações.

<p>Categoria critica agressões sofridas por profissionais da imprensa na cobertura de manifestações populares</p>
Categoria critica agressões sofridas por profissionais da imprensa na cobertura de manifestações populares
Foto: Alexandro Auler / Divulgação

Repórter do Terra é agredido pela PM em protesto em SP

De acordo com Théo Rochefort, diretor da Associação Brasileira das Empresas de Radio e Televisão (Abert), as ações revelam uma inabilidade destes manifestantes radicais em viver em uma democracia.

"Existem mais de 500 emissoras de televisão em todo o País. Só de noticiário nacional, são 14 programas. Se estão insatisfeitos com a cobertura atual, é simples: mudem de canal", afirmou Rochefort durante o Seminário Internacional sobre Violência contra Jornalistas organizado pelo Instituto Vladimir Herzog.

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), 96 jornalistas foram agredidos desde o início dos protestos , em junho deste ano. As forças policiais ou agentes da Força Nacional foram responsàveis pela ampla maioria (74%) do total de agressões, ainda de acordo com a análise.

Para o diretor da Associação Nacional das Editoras de Revistas (Aner), Lourival J. Santos, é preciso desvincular o ataque aos jornalistas do ataque aos donos de jornais. De acordo com ele, qualquer manifestação à imprensa é dirigida "à sociedade como um todo".

"O jornalismo não é a manifestação da vontade do dono da empresa, mas um conjugado entre a liberdade de expressão e a liberdade pública de acesso aos meios comunicação", defende Lourival.

Presente no encerramento do seminário, o ex-secretário nacional dos Direitos Humanos José Gregori alertou para necessidade de se questionar o que tem levado ao aumento da violência contra os meios de comunicação. "Em qual momento se terá cometido alguma coisa para que a sociedade civil não tivesse aquele respeito e aquela noção da importância da imprensa no processo político?", questionou Gregori em seu discurso de encerramento.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus . A mobilização surtiu efeito e o aumento foi temporariamente revogado . Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas – o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia .

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos . Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São Paulo , Rio de Janeiro , Curitiba ,
Salvador , Fortaleza , Porto Alegre e Brasília .

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades , mas o movimento não deve parar por aí. "Essas vozes precisam ser ouvidas", disse a presidente Dilma Rousseff , ela própria e seu governo alvos de críticas.

EFE    

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