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Chuvas fortes provocam 271 mortes na região serrana do RJ

12 jan 2011
12h50
atualizado em 13/1/2011 às 02h42

As fortes chuvas que atingiram os municípios da região serrana do Rio de Janeiro provocaram a morte de pelo menos 271 pessoas desde a noite de terça-feira, segundo levantamento feito pelo Terra a partir de dados das defesas civis e prefeituras. As buscas por vítimas das enchentes e deslizamentos foi interrompida com a chegada da noite e serão retomadas pela manhã em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo.

O vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, fez um sobrevoo na região e conversou com lideranças políticas sobre os estragos. O governador do Estado, Sérgio Cabral, disse em comunicado que lamenta pelas mortes. Ele também solicitou o apoio da Marinha Brasileira no transporte da frota e de equipamentos do Corpo de Bombeiros às áreas atingidas.

Petrópolis
Em Petrópolis, a prefeitura informou que foram registradas 34 vítimas. As mortes aconteceram nas localidades de Vale do Cuiabá, Estrada das Arcas, Gentil, Madame Machado e Brejal, mas os números podem passar dos 40 pois, segundo equipes da Defesa Civil do município, muitas pessoas foram arrastadas pelas águas na região.

O prefeito da cidade, Paulo Mustrangi, afirmou hoje ter ficado impressionado com os efeitos das chuvas e garantiu que o poder público está trabalhando no local. "Estou impressionado. O que aconteceu aqui esta madrugada foi pior que o ocorrido em 2008. Não sobrou nada. Todas as casas foram atingidas", disse.

Entre as vítimas na cidade está a estilista Daniela Conolly, que morreu em um desabamento de uma mansão em frente à pousada Tambo de los Incas, em Itaipava. No local estavam 16 pessoas, entre elas parentes de Daniela e do irmão, o empresário Erick Conolly, ligado ao Banco Icatu.

A mulher de Erick sobreviveu ao deslizamento, mas o casal perdeu os três filhos na tragédia. O marido de Daniela, seus dois filhos e a babá também morreram.

Nova Friburgo
Em Nova Friburgo, são 107 vítimas. Entre mortos estão três bombeiros que seguiam para auxiliar no resgate de famílias soterradas. Outros três bombeiros foram resgatados dos escombros e um continua soterrado, segundo a Secretaria Estadual da Saúde. Mais cedo, o Corpo de Bombeiros havia informado que quatro soldados tinham morrido no deslizamento, o que foi corrigido.

Teresópolis
Em Teresópolis, a prefeitura registrou 130 mortes. O prefeito, Jorge Mario, declarou situação de emergência no município. O secretário de Meio Ambiente e Defesa Civil, Flávio Castro, saiu com as equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros para acompanhar o trabalho de resgate, a identificação de áreas de risco e orientação dos atingidos a se dirigirem para os abrigos preparados pela prefeitura.

Mais de 800 homens trabalhavam nesta quarta para encontrar desaparecidos e encaminhar os desabrigados. De acordo com registros da Secretaria de Meio Ambiente e Defesa Civil, nas últimas 24 horas foram registrados 140 mm de chuva, volume esperado para todo o mês de janeiro na região.

A Defesa Civil de Teresópolis informou que as mortes ocorreram principalmente nas localidades de Bonsucesso, Caleme e Biquinha. Também houve vítimas no Poço dos Peixes, Vale Feliz, Fazenda da Paz, Posse, Paineiras, Jardim Serrano, Parque do Imbuí, Granja Florestal e Barra do Imbuí, na zona urbana, e nas localidades de Pessegueiros e Salaquinho, no interior do município. Ao todo, foram 17 bairros atingidos. São 960 desabrigados e 1.280 desalojados na cidade.

Doações


A prefeitura de Teresópolis disponibilizou uma conta corrente no Banco do Brasil para receber doações e ajudar as famílias atingidas pelo temporal. Com o nome "SOS Teresópolis - Donativos", ela está disponível na agência 0741-2 do Banco do Brasil, com o número 110000-9.

Outras doações, como alimentos, roupas, cobertores, colchonetes e itens de higiene pessoal - como sabonete, pasta de dentes, fralda descartável e absorvente higiênico podem ser entregues no Ginásio Pedrão, na rua Tenente Luiz Meirelles, número 211.

Tempo


Para a meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Marlene Leal, os moradores têm motivos para se preocupar, já que as chuvas devem continuar atingindo a região até o próximo sábado. "Existe naturalmente um corredor de baixa pressão atmosférica vindo de Minas Gerais e que favorece a intensificação das chuvas na Região Serrana do Rio, na divisa com Minas. Uma frente fria vinda do Sudeste, que já atua em Minas, Goiás e São Paulo é a que agora está no Rio", disse.

Veja onde foram registradas as mortes:

Em 2010, mais de 300 mortos


No ano passado, pelo menos 310 pessoas morreram em duas grandes tragédias causadas pelas chuvas. A primeira foi em Angra dos Reis, quando dezenas de pessoas morreram na madrugada de 1º de janeiro após deslizamentos de terra, e a outra aconteceu em abril, mês em que choveu muito no Estado, causando deslizamentos de terra como no Morro do Bumba, em Niterói.

Com informações de O Dia

Fonte: Redação Terra

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