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Caso Richthofen
Quinta, 22 de junho de 2006, 03h22  Atualizada às 10h40
Suzane teria visto agonia dos pais, diz promotoria
 
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Acusada de matar os pais, em outubro de 2002, Suzane von Richthofen, 22 anos, pode ter participado mais ativamente do crime do que tem afirmado. Essa tese consta no depoimento de Cristian Cravinhos, que deverá ser a peça-chave da Promotoria para pedir a condenação da jovem. Ele e o irmão, Daniel, namorado da moça na época, foram os executores do assassinato. Em seu relato, Cristian, que foi o primeiro a confessar, derruba a versão de que Suzane ficou com os ouvidos tampados, na biblioteca da casa, enquanto Manfred e Marísia eram mortos.

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Segundo Cristian, foi a jovem quem levou jarra com água para molhar as toalhas usadas para assassinar os pais de Suzane - Manfred e Marísia von Richthofen. Uma teria sido colocada na boca da mãe dela, para sufocá-la. Mesmo após ter levado golpes, Marísia ainda estaria viva e agonizante, enquanto a outra toalha teria servido para cobrir o rosto do pai. A reconstituição do crime também indica que a moça não teria tido tempo de dar ajuda aos irmãos e ficar na biblioteca.

Segundo o depoimento de Cristian, Suzane e Daniel pretendiam montar negócio com o dinheiro a ser herdado por ela e teria sido o irmão quem confeccionou os porretes, feitos de ferro e com cabo de madeira. A jovem só confessou todo o plano ao depor pela quinta vez na polícia, depois de Cláudia Sorge, amiga de sua mãe, informar que Marísia havia trocado o miolo das fechaduras e que só a família tinha as novas chaves da mansão.

Suposto caso homossexual
Cláudia é testemunha de acusação. E ela é quem, segundo a Promotoria, a defesa de Suzane ameaça mostrar como caso homossexual de Marísia. Segundo o promotor Nadir de Campos Júnior, os advogados sustentarão que a moça não suportava possíveis relacionamentos extraconjugais dos pais, principalmente da mãe.

No fim de semana, Mauro Otávio Nacif, advogado da jovem, contou que ela apontou Astrogildo Cravinhos, pai de Cristian e Daniel, como mentor do crime, por interesse na herança. O Ministério Público decidiu não pedir abertura de inquérito para investigar Astrogildo.

O promotor acredita que Suzane só será julgada este ano se o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negar a ela liberdade provisória. Para Campos, caso consiga o benefício, seus advogados faltarão ao julgamento, em 17 de julho, e Suzane recusará defensor público. Com isso, o júri poderá ser em 2007.

Análise: filhos matam pais em datas significativas
Psiquiatra forense estudioso de parricídios (assassinatos dos pais pelos filhos) e autor do livro "Loucura e Crime", Guido Arturo Palomba constatou em pesquisa que perto de 70% dos acusados escolhem cometer a execução próximo a datas que sejam significativas para eles, como seus aniversários.

No caso de Suzane, o crime foi em 31 de outubro de 2002, três dias antes de a jovem completar 19 anos. "Esse é mais um caso que reforça a teoria. Em 40 ocorrências que estudei, o que havia em comum entre elas era que a grande maioria acontecia nas imediações de datas como esta", contou. A morte dos próprios pais, portanto, seria uma espécie de "presente de aniversário". Palomba crê que não há possibilidade de Suzane ter sido induzida a participar do crime.

Para a especialista em crimes Ilana Casoy, que acompanhou todas as investigações, a data escolhida para a morte de Manfred e Marísia mostra que - independentemente da vontade ou não de outros participantes do assassinato - a morte do casal era importante para Suzane. "Essa coincidência nos mostra que ela tinha vontade de que eles morressem", analisa.

A polícia chegou a questionar Daniel Cravinhos sobre o fato de ser ou não a morte do casal um "presente de aniversário" para Suzane, que era sua namorada. Em seu depoimento, ele disse que não sabia.
 

O Dia

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