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O segundo dia de julgamento do jornalista Antônio Pimenta Neves foi interrompido nesta quinta-feira depois de uma sessão de mais de 15 horas. Vencidos pelo cansaço, os jurados solicitaram ao juiz Diego Ferreira Mendes a interrupção dos trabalhos, que serão retomados às 11h desta sexta-feira.
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Nesta sexta-feira, defesa e acusação poderão fazer réplica e tréplica por um período de até uma hora. Em seguida, o júri se reúne para decidir o veredito, o que deve acontecer no começo da tarde.
A sessão de ontem começou às 10h07 com o depoimento de João Florêncio Gomide, pai de Sandra Gomide, assassinada por Pimenta Neves em agosto de 2000. Foi a primeira vez que os dois se encontraram depois do crime. Outras sete testemunhas prestaram depoimento até as 19h20. A exemplo do primeiro dia, Pimenta Neves se manteve a maior parte do tempo de cabeça baixa, apoiada em uma das mãos, com olhar perdido.
O depoimento de João Gomide, que durou 40 minutos, foi marcado pela emoção. O pai da jornalista chorou ao relembrar da filha e disse que seu estado de saúde piorou consideravalmente depois do assassinato. "Não consigo ver a minha filha morta e o Pimenta livre há mais de seis anos", afirmou. O pai de Sandra chegou encarar Pimenta Neves algumas vezes, mas o réu desviou o olhar. Antes de o depoimento começar, o réu trocou de lugar com sua advogada, ficando numa posição mais difícil de os dois se visualizarem.
A segunda testemunha a falar foi Deomar Setti, dono do haras onde o crime ocorreu. Para Setti, há fortes indícios de que o crime tenha sido premeditado. "Olhando agora, as atitudes tomadas por Pimenta Neves no dia do crime me fazem ter essa certeza", disse. "Antes da chegada de Sandra ao haras ele estava muito agitado, principalmente em relação aos carros que entravam e saíam do local. Ele já tinha tudo planejado", afirmou, em entrevista coletiva após o seu depoimento.
Em seguida, depôs a terceira testemunha de acusação - Marlei Setti, mulher de Deomar. No principal trecho do seu depoimento, ela disse que cerca de três meses antes da sua morte, Sandra Gomide confidenciou a ela que Pimenta Neves a agredia e que a ameaçava de morte. Na ocasião, Sandra apresentava hematomas na região do pescoço.
A partir daí, foram ouvidas cinco testemunhas de defesa. A primeira foi o médico psiquiatra Marcos Pacheco Ferraz, que tratou de Pimenta Neves logo depois do crime. No depoimento, o médico afirmou que Pimenta Neves é uma pessoa inteligente e intelectualmente brilhante. No tempo em que tratou dele, o psiquiatra disse que pôde perceber certa dificuldade do jornalista para lidar com a emoção.
Para Ferraz, não houve premeditação do crime, que na sua visão só aconteceu porque o réu estava armado. "O que houve ali foi o encontro da perda de controle com o porte de arma", disse.
Na seqüência, foram ouvidas mais quatro testemunhas de acusação, com discurso bastante parecido, exaltando a carreira de Pimenta Neves como jornalista, principalmente no respeito à ética.
Plenário vazio
Depois de ouvidas as testemunhas, o juiz decidiu esvaziar o plenário. Isso porque era intenção da acusação de utilizar alguns trechos dos autos - mantidos em segredo de Justiça - para convencer os jurados da culpa do réu.
A acusação pediu a revogação do segredo, o que foi indeferido pelo juiz, já que a defesa não concordava em expor o seu cliente. Para garantir que os trechos, considerados imprescindíveis para o promotor e seu assistente, fossem apresentados, o juiz decidiu pela retirada do público.
A acusação então iniciou o debate. Durante duas os promotores apresentaram sua tese, de que o crime foi premeditado e cometido por motivo banal. Depois disso, houve intervalo de uma hora para o jantar.
Após, a defesa apresentou seus argumentos, baseados em uma crítica à mídia e à exposição de seu cliente depois do crime e na fragilidade emocional de Pimenta Neves. Terminada a exposição, o juiz interrompeu o julgamento, já que os jurados apresentavam claros sinais de cansaço.
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