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Caso Pimenta Neves
Quarta, 3 de maio de 2006, 01h32  Atualizada às 10h30
"Me sentia usado por Sandra", diz Pimenta Neves
 
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O jornalista Pimenta Neves, que confessou ter matado a ex-namorada Sandra Gomide, afirma que se sentia usado por ela na época em que ocorreu o crime. "Eu me sentia usado, acho que houve um certo abuso de confiança que me deixava perplexo", disse o jornalista em entrevista veiculada nesta quarta-feira no programa Jornal na Noite, da TV Bandeirantes.

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Pimenta Neves chegou para seu julgamento às 8h04 de hoje. Ele confessou ter matado a ex-namorada - a também jornalista Sandra Gomide - em 2000. O crime ocorreu em 20 de agosto do mesmo ano, num haras do município de Ibiúna, cidade de 60 mil habitantes. Ele é acusado de homicídio duplamente qualificado.

"Algumas pessoas acham que eu não fui capaz de ver com perfeição. Fiquei cego pra certos aspectos da personalidade dela. Se eu fiquei cego não posso saber", disse.

"Eu era uma personalidade dividida, estava exausto, extremamente estressado. Vinha de uma experiência terrível, de perda iminente da visão, do câncer da minha filha voltando, do rompimento com a Sandra, da vergonha que eu sentia por ela não ter correspondido a confiança que eu havia depositado nela", disse Pimenta Neves, ao descrever como se sentia na época do crime - agosto de 2000.

Sobre o dia do crime, Pimenta Neves relatou que estava à procura de Sandra para discutir um boletim de ocorrência que ela havia feito com ele. "Quando eu descobri o teor do B.O., que me foi entregue no sábado, fiquei mais indignado, muito triste, queria saber a razão daquilo", relata. Ao encontrar com ela, perguntou sobre o assunto. "Ela respondeu: 'Que B.O.?' Ela quis negar na hora, mas depois confirmou".

Segundo Pimenta Neves, foi neste momento que começou a discussão. "Queria falar com ela, mas ela me deu um empurrão. Depois disso, não sei", conta. "A única coisa que eu sei é que eu puxei o gatilho duas vezes. Eu nem sabia que tinha atingido a Sandra de fato, pensei que ela tivesse caído. Se eu tivesse que dar um tapa na Sandra, não teria coragem", disse.

Sobre o fato de estar com a arma, Pimenta diz que andava armado desde que havia conseguido o porte. "Eu tinha a arma em casa, registrada obviamente, mas não saía com ela. A partir de um certo instante, comecei a sair com ela. Eu havia mandado fazer matérias complicadas, recebi telefonemas anônimos", contou.

Na fuga do haras, Pimenta conta que quase capotou o carro. "Eu saí de lá desorientado, descordenado. Estava evidentemente tremendo, tanto que eu saí devagar, porque estava sem controle muscular".


 

Redação Terra