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Capítulo 6 - Família no semiaberto: "ela não dá limites"

19 nov 2014 11h08
| atualizado às 16h14
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Nos primeiros meses de 2013, Maria e o marido, José, obtiveram progressão de pena para o semiaberto. A felicidade com a notícia durou pouco. Logo souberam que só poderiam ficar com a filha aos domingos, quando tinham folga do trabalho, e somente com a presença de Terezinha, tutora da criança, até que os dois cumpram os 10 anos de condenação.

Eles alugaram uma casa, onde almoçavam e tentavam viver de forma discreta. Uma vez na rua, estranharam a liberdade. “Saí pela primeira vez em um domingo. Saí com ela (Rosa), mas fiquei bem estranha na rua, passei mal do estômago. Até hoje é meio estranho. Para mim é tudo estranho, muita novidade, muita coisa”, conta Maria.

Os dois eram quase inseparáveis, apesar do pai ainda ter que dormir na cadeia como parte da pena
Os dois eram quase inseparáveis, apesar do pai ainda ter que dormir na cadeia como parte da pena
Foto: Mauricio Tonetto / Terra

Em liberdade, ela demonstrava ciúmes da relação de Terezinha com a filha, mas tanto a mãe quanto o pai de Rosa manifestavam gratidão à amiga. “Muito pouca gente faria isso que ela fez por nós”, reconhecia José.

Na nossa visita, enquanto Rosa brincava pela casa, Maria fez questão de preparar um bife de chuleta, arroz e salada. Quando contrariada por uma das mães, corre para a outra, assim como qualquer criança faz com o pai e a mãe.

Mas essa demonstração de carinho de Rosa com Terezinha parece incomodar Maria, que começa a crítica a forma como a filha tem sido criada. “A Tetê não dá limite para Rosinha. Ela deixa fazer o que quer, e eu não, por isso ela faz manha. Quando eu digo não é não. Acho que tem que ser assim”, critica Maria.

Foto: Mauricio Tonetto / Terra

José não sucumbiu tanto aos terrores do cárcere quanto sua mulher, apesar de ter perdido um pulmão para a tuberculose. Foi bem tratado pelos companheiros de cárcere, recebendo até o convite para atuar como um dos líderes da galeria onde ficou. Enquanto esteve preso, abriu um pequeno negócio dentro da cadeia para a venda de lanches, que ajudou com as despesas da criança.

Naquele momento, a família se agarrava ao pouco tempo que tinha junta, e já vislumbrava um futuro melhor. Só que a caminhada se mostraria ainda mais desafiadora. 

Foto: Mauricio Tonetto / Terra

Fotos: Mauricio Tonetto

 

Próximo Capítulo:

Capítulo - 7 Em liberdade, a criança ainda lembra da prisão

 

Capítulos anteriores:

 

Capítulo 1  - "A vida era boa, mas era um dinheiro maldito"

Capítulo 2 - Nasceu: vão roubá-la porque tu é presidiária

Capítulo 3 - Crescendo no presídio: "ela anda por tudo"

Capítulo 4 - Separação: "parece que vão arrancar minha vida"

Capitulo 5 - Rosa em liberdade: "tu vê a mudança no olhar"

 

Fonte: Terra
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