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Capítulo 5 - Rosa em liberdade: "tu vê a mudança no olhar"

19 nov 2014 11h08
| atualizado em 19/10/2015 às 22h18
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Quando chegou à casa nova, Rosa já tinha um quarto com brinquedos, um berço e ganhou dois irmãos mais velhos. Ela parecia menos ansiosa e mais feliz. Uma codorna criada no terreno da casa virou seu bicho de estimação. “No primeiro dia ela estranhou um pouco, mas agora ela já se acostumou, está bem apegada com a gente”, contava Terezinha uma semana após a separação da mãe.

Mas a separação também reuniu pai, mãe e filha pela primeira vez em uma visita ao presídio de Caxias para onde Maria voltou.

Berço de Rosa na casa da nova família em Caxias
Berço de Rosa na casa da nova família em Caxias
Foto: Daniel Favero / Terra

Na nova casa, as crises de asma desapareceram, Rosa demonstrava medo de homens, provavelmente pela falta de convívio nos tempos de cadeia feminina, e ficava desconfiada quando a porta de casa era fechada. A criança passava os dias correndo de um lado para outro, passava sempre na casa da mãe de Daniel, marido de Terezinha, onde ganhava pedaços de polenta e fatias de salame, como uma típica criança da serra gaúcha.

Rosa nos braços da nova irmã em Caxias do Sul
Rosa nos braços da nova irmã em Caxias do Sul
Foto: Daniel Favero / Terra

"Dá para ver a mudança no olhar dela. Está feliz. Antes era meio comedida, parecia que brincava pouco", dizia Terezinha.

Adaptada com a nova família, Rosa vê os “irmãos” chamando Terezinha de mãe e faz a mesma coisa, apesar de a guardiã tentar deixar claro quem é sua verdadeira mãe. Nas visitas ao presídio, ela chama as duas de mãe, o que deixa Maria um pouco revoltada. “Eu sempre digo que é o dindo e a dinda (padrinho e madrinha)... boto sempre uma foto da Maria por perto dela também”, diz Terezinha.

 

Fachada da Penitenciária Industrial de Caxias do Sul
Fachada da Penitenciária Industrial de Caxias do Sul
Foto: Daniel Favero / Terra

 

De volta ao inferno

Enquanto a filha parece feliz como nunca, Maria aparenta ter voltado ao inferno. Um presídio comum, mesmo que feminino, é bem mais assustador que a ala materno-infantil. “Não tem um dia que eu não chore, que eu não esteja abalada com alguma coisa. O foda é o lugar. Tu não tem noção do que é, é um horror”, dizia, em prantos, ao falar das brigas e disputas de poder entre as encarceiradas.

Maria após voltar para o presídio de Caxias do Sul, já afastada da filha
Maria após voltar para o presídio de Caxias do Sul, já afastada da filha
Foto: Daniel Favero / Terra

A visita ocorreu no final de 2012, quando Maria estava prestes a progredir de pena para o semiaberto e, assim, trabalhar fora e voltar para dormir na prisão. Nessa época, ela anunciava uma nova gravidez, “já sinto mexer, assim como era com a Rosa”, dizia. Entretanto, a suspeita não foi confirmada por exames.

Quando visita a mãe no presídio, Rosa se apega muito ao pai. E começa a surgir os ciúmes de Maria, tanto com o marido quanto com Terezinha, pelo fato de a criança também a chamar de mãe.

 

 

Capítulo 5 - Rosa em liberdade: "tu vê a mudança no olhar":

 

Fonte: Terra
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