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Capítulo 1 - "A vida era boa, mas era um dinheiro maldito"

19 nov 2014 11h02
| atualizado em 19/10/2015 às 22h14
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Sacola recuperada pela da PM havia meio quilo de crack, meio quilo de pasta base de cocaína e R$ 220
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Foto: Polícia Militar
Capítulo 1 - "A vida era boa, mas era um dinheiro maldito":

Maria foi presa por tráfico de drogas no dia em que começaria a trabalhar acompanhando um menino deficiente. Dez anos de condenação. "Um cadeião", definia ela em jargão prisional. 

A polícia confirmou as suspeitas ao abordar uma pessoa que saiu do apartamento muito alterada. Apertado pelos policiais, ela entregou. Maria foi presa no dia 27 de março, saiu no dia seguinte, para ser presa dias depois. No apartamento foram encontrados cerca de 300 gramas de cocaína, balanças, 11 celulares, quase R$ 600 em dinheiro e mais de R$ 1,2 mil em cheques. "A gente se deslumbra, porque é bastante dinheiro. Tu acha que é normal, tu não sabe o mal que tu está fazendo, tu esquece, aquilo vira um trabalho com horário e tudo".

Ela e o namorado tinham uma vida de classe média. Dois carros, uma moto e aluguel mensal de R$ 2 mil. Maria gostava de fazer compras. Os dois dizem que o tráfico começou por influência dos amigos. "Éramos 'gurizada' (jovens), queríamos crescer mais rápido, a gente teve pressa de fazer as coisas, na verdade. Então começamos a pensar: 'vamos, porque é rápido, não vai dar problema, é dinheiro rápido'... e olha o que aconteceu. Estou presa há dois anos (...) Durou três anos... a vida era boa, mas foi tudo perdido, era um dinheiro maldito", conta.

Maria, o marido e o pai foram presos por tráfico e associação para o tráfico
Maria, o marido e o pai foram presos por tráfico e associação para o tráfico
Foto: iStock

 

Violência e gravidez de risco

Na prisão, Maria foi do inferno ao céu. Apanhou muito das outras detentas por não ser "do crime". "Quando cheguei, eu era muito diferente, é um tipo de vida com a qual não estava acostumada, pessoas com as quais você não costuma lidar.... A gente traficava em apartamento, então não estava acostumada a viver nesse meio", relata. 

A gravidez foi de risco por causa do estresse de uma gestação vivida em condições de extrema pressão psicológica. Com cinco meses de grávida foi transferida de Caxias do Sul para o presídio feminino Madre Pelletier, em Porto Alegre, onde poderia ter atendimento mais adequado, apesar do isolamento da família. Nesse período, o Terra teve o primeiro contato com Maria e a filha. Elas estavam em processo de adaptação da criança com  sua ex-empregada doméstica Terezinha, a única pessoa que podia ficar com a menina.

 

Fonte: Terra
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