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02 de fevereiro de 2013 • 16h25 • atualizado em 03 de Fevereiro de 2013 às 00h05

Número de internados pela tragédia em Santa Maria é de 113

Neste sábado, chegaram ao Rio Grande do Sul, vindos dos EUA, kits do medicamento injetável que reduz os efeitos da fumaça tóxica no organismo
Foto: Wesley Santos / Futura Press
 

Quase uma semana depois do incêndio que deixou 237 mortos no domingo passado em uma boate em Santa Maria (RS), 113 feridos continuam hospitalizados. Deste total, 58 estão internados na cidade e 54 na região metropolitana de Porto Alegre. 

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De acordo com boletim divulgado na tarde deste sábado pela Secretaria de Saúde do Estado, na capital gaúcha, são 41 pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Trinta estão em ventilação mecânica.

Nas últimas horas, foram registradas dez altas, enquanto alguns pacientes já não utilizam a respiração mecânica por conta da melhoria de seu estado de saúde, de acordo com a nota.

A maioria dos hospitalizados apresenta intoxicação pela inalação de cianureto que, segundo a polícia, foi gerado por conta do fogo na espuma de isolamento sonoro do teto da boate. Para tratar desses pacientes, o governo dos Estados Unidos doou 140 doses de um remédio intravenoso chamado "Cyanokit", que serve como antídoto para o cianureto.

O remédio chegou em uma avião a Santa Maria e Porto Alegre neste sábado, cidades onde estão internados grande parte dos doentes, e será fornecido aos pacientes nas próximas horas.

INCÊNDIO EM SANTA MARIA

Entenda detalhes de como aconteceu a tragédia em Santa Maria, na região central do RS, que chocou o País e o mundo e como era a Boate Kiss por dentro

 

Incêndio na Boate Kiss
Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada do dia 27 de janeiro, em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado com um artefato pirotécnico lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate, e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos. A tragédia gerou uma onda de solidariedade tanto no Brasil quanto no exterior.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.

Na segunda-feira, quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Sphor, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffman, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investigava documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergiam sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.