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Bueiros do Rio: todo centro e zona sul correm risco de explosão

15 jul 2011 11h31
| atualizado às 13h27
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Luís Bulcão
Direto do Rio de Janeiro

Responsável pelas fiscalizações de câmaras subterrâneas do centro do Rio, que descobriram sete bueiros na eminência de explodir na semana passada, o engenheiro Luiz Consenza afirma que não é possível fazer um mapa dos locais onde há maior perigo de explosão. Segundo ele, a questão está nos vazamentos de gás que podem ocorrer em qualquer duto da extensa rede defasada de gás e luz que passa pelo centro e pela zona sul da cidade. "Toda a área do centro e da zona sul pode explodir. A presença de gás é constante", alerta.

O engenheiro, do Crea-RJ, aponta que somente em três casos a explosão ocorreu em bueiros onde a Light mantinha transformadores. Na maioria das vezes, os problemas ocorrem em câmaras de caixa de passagem, onde podem ocorrer curto-circuitos. Nesses casos, há fumaça e até labaredas. Mas, segundo ele, explosões só ocorrem quando há presença de gás.

"Fizemos uma vistoria em 21 bueiros do centro. Dois terços apresentavam altos níveis de gás, sendo que sete estavam na eminência de explodir. Para mim foi surpresa, não esperava presença tão grande de gás nas tampas que medimos", afirma. De acordo com ele, o gás pode vazar tanto de dutos da CEG (companhia de gás) quanto ser proveniente das tubulações da Companhia Estadual de Águas e Esgoto (Cedae). "O subsolo do Rio está com presença de gás. Enquanto você se preocupar apenas com uma concessionária, não resolverá o problema", afirma.

Ainda assim, Consenza acredita que o maior perigo de vazamento esteja nas tubulações da CEG, que segundo ele, são muito antigas. "A própria ferrugem pode provocar furo nas emendas. Enquanto não tiver tubulação nova, vamos ter que continuar a monitorar", diagnostica. Já os equipamentos da Light são os que mais preocupam. "A Light, ao longo de mais de 10 anos, teve a manutenção totalmente sucateada. Por mais que se faça investimento não se conserta da noite para o dia", afirma.

Explosímetro medirá perigo
Como o plano de recuperação dos equipamentos subterrâneos das empresas está previsto para ser concluído em 2013, Consenza acredita que a única solução a curto prazo seja o monitoramento do nível de gás nas câmaras.

Na sexta-feira passada, após uma reunião emergencial com o prefeito Eduardo Paes, o Crea-RJ se responsabilizou por indicar três empresas à prefeitura do Rio para fazerem um trabalho de fiscalização independente. De acordo com Consenza, a empresa escolhida pela prefeitura vai realizar medições nos bueiros. Ele explica que a maioria das tampas nem precisará ser aberta, pois elas já possuem uma perfuração de onde é possível coletar amostras com um "explosímetro". O equipamento utilizado dá uma porcentagem de presença de gás no ambiente que vai de 0% a 100%. Quando o nível chega ao máximo, como encontrado em sete bueiros no centro, qualquer fagulha pode gerar uma explosão. A empresa ficará encarregada de alertar a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)e as empresas responsáveis pelos dutos (Light, CEG, Cedae), quando o nível de gás for preocupante.

O engenheiro reclama da falta de colaboração das concessionárias. Segundo ele, CEG e Light se adiantaram na semana passada e realizaram uma fiscalização na Zona Sul sem a presença de técnicos do Crea. "Nós não temos equipamentos. Agora, infelizmente, estava acertado que faríamos uma inspeção em conjunto e eles estão fazendo entre eles, sem a nossa presença. É por isso que o prefeito quer um trabalho independente", critica.

Consenza questiona também o monitoramento que já deveria estar sendo realizado pelas próprias concessionárias. "Eles (a Light) dizem que já fizeram medições em 8 mil caixas. Como a gente, em uma hora de inspeção, encontrou tantos problemas?", indaga.

Fonte: Especial para Terra
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