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Brasileiros em Israel pedem saída de Dilma após protestos

Manifestantes criaram um clima de Carnaval no centro de Tel Aviv, onde se encontra a embaixada brasileira

21 jun 2013
15h08
atualizado às 15h24
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Cerca de 100 brasileiros se reuniram nesta sexta-feira em frente à embaixada do Brasil em Tel Aviv para protestar contra o governo Dilma Rousseff, após uma convocação por meio das redes sociais, supostamente para manifestar "solidariedade com o movimento no Brasil". Durante a manifestação, organizada por jovens que moram em Israel, a reportagem do Terra não ouviu qualquer menção ao Movimento Passe Livre ou ao problema do transporte público no País.

<p>Convoca&ccedil;&atilde;o para o protesto em Israel foi feito por meio das redes sociais</p>
Convocação para o protesto em Israel foi feito por meio das redes sociais
Foto: Guila Flint / Especial para Terra

Protesto contra aumento das passagens toma as ruas do País; veja fotos

A maioria dos participantes tinha de 20 a 30 anos, alguns com crianças de colo e muitos vestidos de verde e amarelo. Eles criaram um clima de Carnaval no centro de Tel Aviv, onde se encontra a embaixada.

De acordo com o cônsul brasileiro na cidade, conselheiro Roberto Parente, os organizadores tinham avisado à embaixada, com antecedência, dos planos de realizar a manifestação.

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"Eles me disseram que não têm nada contra a embaixada e que só querem manifestar solidariedade com os protestos no Brasil", disse Parente. Segundo o diplomata brasileiro, os manifestantes também pediram a autorização da policia israelense para realizar o ato, já que, segundo a lei local, uma manifestação de mais de 50 pessoas necessita da permissão das autoridades.

Circo
O engenheiro de sistemas Fabio Galcer, de São Paulo, que mora em Israel há 7 anos, disse que estava na manifestação para pedir o fim do "circo que os politicos brasileiros fazem com o dinheiro do povo". Para Eduardo Chvaicer, 27 anos, "o principal problema é a corrupção". Muitos portavam cartazes contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 37, que tira do Ministério Público o poder de investigação policial. Átila Drelich, 44 anos, destoava do clima geral, tanto por ser religioso, como pelos conteúdos que defendia.

Drelich, que usava um solidéu, se definiu como "comunista e religioso" e disse que "estou aqui porque sou comunista". Alberto Rodrigues, que trabalha como recepcionista em um hotel e é de São Paulo, carregava um cartaz com os dizeres "Fora Dilma". "Dilma nada mais é do que um projeto do Lula para manter o PT no poder", disse o manifestante. "Se a população no Brasil tiver coragem, vai exigir o impeachment de Dilma e tirar o PT do poder", acrescentou Rodrigues.

Alguns manifestantes portavam cartazes contra o projeto da "Cura Gay", aprovado na Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara dos Deputados, e contra o estatuto do nasciturno. Para o diplomata Roberto Parente, havia um denominador comum entre todos os manifestantes, pois "todos mantem um vinculo muito forte com o Brasil". "Essas pessoas são ligadas profundamente com o que acontece no Brasil", afirmou o diplomata.

Vale lembrar que, nas eleições presidenciais de 2010, a maioria dos eleitores que votaram na embaixada do Brasil em Tel Aviv, optou pelo candidato José Serra. Já na urna do Escritório de Representação do Brasil junto à Autoridade Palestina, na cidade de Ramallah, os resultados foram inversos e a maioria dos eleitores brasileiros palestinos votou na então candidata Dilma Roussef.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

O grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte: Especial para Terra
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