publicidade
11 de junho de 2012 • 08h15 • atualizado às 08h18

BH: 41 bebês foram abandonados em 2011; espera por adoção é longa

Bebês são abandonados em maternidades ou mesmo no meio da rua
Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil
 
José Guilherme Camargo
Direto de Belo Horizonte

Muitas vezes abandonadas ainda na maternidade, entregues pelas mães ao Juizado de Menores ou mesmo encontradas em vias públicas ainda envoltas no cordão umbilical. A orfandade é o destino de muitas crianças recém-nascidas em Minas Gerais que, por motivos variados, após o nascimento perdem abruptamente qualquer laço afetivo com mãe, pai e familiares. Somente no ano passado em Belo Horizonte, 41 bebês foram abandonados e encaminhados ao Conselho Tutelar - dentre eles, 32 crianças chegaram ao juizado direto da maternidade, oito foram entregues pelas mães e uma encontrada em via pública.

No Cadastro Nacional de Adoção (CNA), as crianças recém-nascidas têm enorme valor. A procura por adoção em Minas Gerais, e Belo Horizonte em específico, é grande. Em todo o Estado, 4.610 pretendentes estão cadastrados. Na capital mineira, são 596 casais habilitados a adotar uma criança. E é comum entre a maioria dessas pessoas a ideia de que os recém-nascidos são as melhores adoções. Mesmo com tantos bebês abandonados pelas mães ao nascerem, a oferta ainda é pouca diante da demanda e origina filas de espera que podem demorar em média três anos para que o casal obtenha a guarda do filho pretendido.

A pedagoga Karinne Mendes, 37 anos, e o analista de sistemas Carlos Vieira, 34 anos, não escondem o desejo de ter uma criança recém-nascida. Eles entraram com o pedido de cadastro na CNA em agosto do ano passado e, depois de muitas avaliações, foram habilitados a adotar a partir de março deste ano. A pedagoga sabe que o perfil desejado pelo casal é bastante concorrido, mas corre em busca de um sonho. "O perfil que a gente quer é bebê, não definimos menino ou menina, mas escolhemos a cor branca. O critério é o que o casal tem de sonhos. Temos os nossos sonhos de vê-lo crescer juntos. Temos que conciliar a demanda e o nosso sonho", disse.

De acordo com a Comissão Estadual Judiciária de Adoção do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (Ceja-MG), no Estado, 617 crianças são aptas a adoção e 79 em Belo Horizonte. "As pessoas têm uma visão equivocada de que o processo é demorado. É importante ressaltar que não é isso. As pessoas procuram determinado perfil de bebês que são muito procurados. O que há de difícil é a ansiedade. É uma coisa que a gente não tem. Temos que criar essa maturidade e usar o tempo a nosso favor de crescimento enquanto pais para receber essa criança. Os casais sofrem muito em relação à ansiedade", disse o analista.

Mas vale a pena lembrar que existem outras possibilidades de encontrar a criança certa. O Grupo de Apoio a Adoção de Belo Horizonte foi criado para orientar, instruir e preparar os pretendentes que aguardam adoção. Através de palestrar com profissionais, entrevistas e debates, o grupo se reúne uma vez por mês para abordar diferentes temas referentes ao processo.

Segundo uma das coordenadoras do grupo, Rosália de Oliveira, 52 anos, a adoção tardia é uma opção. "Se optar por um perfil mais abrangente, é mais fácil, o tempo é menor. Isso é muito particular de cada casal. Trabalhamos na possibilidade na ampliação do perfil de adoção. Tentamos mostrar que a idade depende do casal. Cada casal ou pessoa vai ter que se perguntar o que realmente ela quer. Não existe um filho ideal. A adoção não é complicada como as pessoas pensam. É a forma de como é tratada. A criança precisa ser reconhecida como filha. O caminho é a conscientização a médio e longo prazo para essas crianças maiores", disse.

Karinne e Carlos não abrem mão do sonho, mas também são abertos a novas possibilidades. Tudo, segundo eles, se resume ao carinho e à educação que tem de ser proporcionada à criança escolhida. "Estamos também nos preparando para ter uma adoção diferente, tardia, com criança mais velha. Precisamos amadurecer psicologicamente para receber essa criança. Mas, primeiro, a gente tem que ver a nossa necessidade. Depende de cada pessoa. É o amor que você vai dar para ela, é o que vai mudar a vida dessa pessoa", completou.

Especial para Terra