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Balanço da CNV aponta que tortura da ditadura é anterior à luta armada

Pesquisa coordenada pela Comissão da Verdade indica que a tortura era uma prática recorrente do regime militar já em 1964

21 mai 2013
13h38
atualizado às 13h39
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Parte da pesquisa - ainda parcial - sobre torturas na Comissão Nacional da Verdade (CNV) aponta a prática como instrumento de interrogatórios desde o primeiro ano do regime militar. A pesquisadora Heloísa Starling, que assessora o grupo, refuta a tese de que as torturas se iniciaram após o Ato Institucional 5, que endureceu o regime e a repressão, em 1968. "A tortura está na origem da ditadura, antes da luta armada", afirmou a pesquisadora. 

Segundo o levantamento da pesquisadora, ainda em fase de elaboração, a maior parte das torturas ocorria em quartéis das três Forças Armadas. Apesar de registros, os centros policiais eram palcos menos recorrentes. 

O Estado com maior concentração de centros de torturas na década de 1960 era o Rio de Janeiro. A pesquisa identificou outros centros na Bahia, em Goiás, em Minas Gerais, em Pernambuco, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. 

Em relação a dados quantitativos, o ano do golpe militar de 1964 começa com um volume maior de torturados (148), seguido de uma redução - que revela uma continuidade na prática - e registra uma alta exponencial em 1969 (1.027). 

A Comissão Nacional da Verdade identificou nove tipos de tortura recorrentes nos quartéis durante o período da ditadura militar (1964-1985), dentre elas o pau de arara (barra de ferro atravessada entre os punhos amarrados e a dobra dos joelhos, pelos quais o torturado é suspenso de cabeça para baixo), choques elétricos e o telefone (golpes simultâneos na região das orelhas, de modo a afetar os tímpanos do torturado).

Fonte: Terra
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