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'Arregaram', diz Luisa Mell sobre fim de pesquisas no Instituto Royal

Presente na invasão ao instituto, apresentadora comemora 'vitória' de ativistas e diz que luta pelos direitos dos animais prosseguirá

6 nov 2013
18h45
atualizado às 18h49
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A apresentadora de TV e ativista Luisa Mell comemorou nesta quarta-feira o anúncio feito pelo Instituto Royal de que encerrará as pesquisas com animais em seu laboratório em São Roque, no interior de São Paulo. Em sua página no Facebook, Luisa - que participou da invasão ao instituto em 18 de outubro, quando foram levados 178 cães da raça beagle - disse que o movimento continuará lutando pelos direitos dos animais, e sugeriu a possibilidade de que a direção da instituição tenha ficado com medo após denúncias de corrupção.

<p>Apresentadora de TV chegou a se reunir com o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB), a quem pediu a instalação de CPI para investigar o instituto</p>
Apresentadora de TV chegou a se reunir com o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB), a quem pediu a instalação de CPI para investigar o instituto
Foto: Facebook / Reprodução

Você sabia: por que os beagles são usados em pesquisas de medicamentos?

"Instituto Royal fechará as portas para sempre em São Roque! Arregaram (sic) quando viram que temos provas e mais provas de corrupção? Claro que vamos comemorar mais esta vitória! Mas não vamos parar", disse Luisa Mell em postagem no Facebook e no Instagram, seguida das hashtags #ogiganteacordou #luisamellcontracrueldade #lutaremosatéofim #opovocontraroyal.

As denúncias de corrupção a que Luisa se referia diziam respeito ao fato de que a representante da prefeitura de São Roque que fiscalizou o Instituto Royal em setembro deste ano, liberando seu funcionamento, seria uma ex-funcionária da empresa.

Célebre por sua atuação em defesa dos animais, Luisa Mell se filiou ao PMDB a tempo de disputar as eleições de 2014. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marina Zatz de Camargo - nome verdadeiro da apresentadora - assinou sua ficha de filiação ao PMDB de São Paulo no dia 24 de setembro de 2013, dez dias antes do encerramento do prazo estipulado pela Justiça Eleitoral, e cerca de três semanas antes da invasão do Instituto Royal.

Luisa Mell esteve na Câmara em outubro, quando se reuniu com o presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), ao qual pediu a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o instituto. Em sua página no Facebook, a apresentadora disse que o encontro foi intermediado pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, pré-candidato do PMDB ao governo de São Paulo.

"Com a ajuda do querido Paulo Skaf presidente da FIESP consegui uma reunião agora com o presidente da Câmara dos deputados Henrique Eduardo Alves pedi ajuda p proibição imediata p testes em animais em cosméticos e produtos de limpeza em todo território nacional, pedi tb q coloque rapidamente em votação uma lei de políticas públicas p castração de cães e gatos em todo o território nacional", disse Luisa na rede social.

No mesmo dia, a apresentadora participou de audiência pública na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, na qual pediu aos deputados investigação plena das atividades do Instituto Royal, acusado pelos ativistas de maus-tratos a animais. "Temos que aproveitar esse momento histórico do nosso País para evitar que os animais sejam massacrados", afirmou diante dos parlamentares.

Ativistas retiram animais de instituto
Ativistas invadiram, por volta das 2h de 18 de outubro de 2013, a sede do Instituto Royal, em São Roque, no interior de São Paulo, para o resgate de cães da raça beagle que seriam usados em pesquisas científicas. Mais tarde, coelhos também foram retirados do local. Cerca de 150 pessoas participaram da invasão. Ao todo, 178 cães foram retirados do instituto. O centro de pesquisas era alvo de frequentes protestos de organizações pelos direitos dos animais.

Os beagles são usados por ter menos variações genéticas, o que torna os resultados dos testes mais exatos. Apesar de os ativistas relatarem diversas irregularidades, perícia feita no Instituto Royal não constatou indícios de maus-tratos aos animais. No dia seguinte à invasão, um novo protesto terminou em confronto entre policiais militares e manifestantes e provocou a interdição da rodovia Raposo Tavares. Quatro pessoas foram detidas.

Em nota, o Instituto Royal refutou as alegações dos manifestantes. "O instituto não maltrata e nunca maltratou animais, razão pela qual nega veementemente as infundadas e levianas acusações de maltrato a seus cães. Sobre esse ponto, o instituto lamenta que alguns de seus cães, furtados na madrugada da última sexta-feira, estejam sendo abandonados", diz a nota, acrescentando que todas as atividades desenvolvidas no local são acompanhadas por órgãos de fiscalização.

Segundo o instituto, a invasão de sua sede constituiu um "ato de grave violência, com sérios prejuízos para a sociedade brasileira, pois dificulta o desenvolvimento de pesquisa científica no ramo da saúde". A invasão ao local, de acordo com a posição do Royal, provocou a perda de pesquisas e de um patrimônio genético que levou mais de dez anos para ser reunido. O instituto também informou que os animais levados durante a invasão, quando recuperados, serão recolhidos e receberão o tratamento veterinário adequado, podendo ser colocados para adoção.

Marcelo Morales, coordenador do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) - órgão responsável pela fiscalização do setor -, afirmou que nenhum animal retirado do laboratório sofria maus-tratos ou tinha mutilações. De acordo com o médico, o instituto era acompanhado pelo Concea, ligado aos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Saúde, nos testes para medicamentos coadjuvantes na cura do câncer, além de antibióticos e fitoterápicos da flora brasileira, feitos a partir de moléculas descobertas por brasileiros. "Milhões de reais foram jogados no lixo e anos de pesquisas para o benefício dos brasileiros e dos animais também foram perdidos", disse o pesquisador.

Fonte: Terra

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