
A Secretaria de Políticas para as Mulheres divulgou nota na noite desta quinta-feira na qual diz que o governo federal dará suporte para o cumprimento da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que aprovou a interrupção da gravidez de fetos anencéfalos.
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"Diante do julgamento da constitucionalidade da interrupção de gravidez de fetos anencéfalos, a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República afirma que o governo dará suporte integral à implementação da decisão (do Supremo), garantindo, desta forma, o direito de escolha das mulheres e o seu acesso aos serviços especializados", diz a nota.
Após dois dias de julgamento, a maioria dos ministros da Corte entendeu que a antecipação do parto de feto com anencefalia não é crime. Já era permitida a interrupção da gestação em casos de estupro ou claro risco à vida da mulher. Todas as demais formas de aborto continuam sendo crime, com punição prevista no Código Penal.
A antecipação do parto de um feto anencéfalo passa a ser voluntária e, caso a gestante manifeste o interesse em não prosseguir com a gestação, poderá solicitar serviço gratuito do Sistema Único de Saúde (SUS), sem necessidade de autorização judicial. Os profissionais de saúde também não estão sujeitos a processo por executar a prática.
Dos 10 ministros que participaram do julgamento, oito votaram a favor e dois, contra. Foram favoráveis: Marco Aurélio Mello, Rosa Weber, Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Carlos Ayres Britto, Gilmar Mendes e Celso de Mello. Ricardo Lewandowski e Cezar Peluso votaram contrariamente à interrupção da gravidez.
- Começou nesta quarta-feira o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que decide sobre a descriminalização do aborto de fetos anencéfalos Foto: Carlos Humberto / Agência Brasil
- STF inicia julgamento de processo movido em 2004 pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS), que pede para descriminalizar a prática do aborto em caso de gravidez de feto anencéfalo Foto: Nelson Jr. / Divulgação
- O processo julgado no STF nesta quarta-feira foi movido em 2004 pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS) Foto: Nelson Jr. / Divulgação
- Em 2004, o ministro Marco Aurélio concedeu liminar para autorizar a antecipação do parto quando a deformidade fosse identificada por meio de laudo médico. Porém, pouco mais de três meses depois, o plenário decidiu, por maioria de votos, cassar a autorização concedida Foto: Nelson Jr. / Divulgação
- Representantes da sociedade civil e religiosos assistiam à sessão de julgamento Foto: Elza Fiúza / Agência Brasil
- Também compareceu à sessão a mãe de uma criança que teria sido diagnosticada com anencefalia Foto: Carlos Humberto / Divulgação
- O advogado da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde, Luís Roberto Barroso, também falou durante sessão do Supremo Foto: Elza Fiúza / Agência Brasil
- Como relator, o ministro Marco Aurélio Mello foi o primeiro a votar a questão Foto: Elza Fiúza / Agência Brasil
- 'Não se coaduna com o princípio da proporcionalidade privilegiar apenas um dos seres da relação (o feto anencéfalo), aniquilando os direitos da mulher, impingindo-lhe sofrimento desarrazoado', afirmou Marco Aurélio, que votou a favor da descriminalização do aborto Foto: Nelson Jr. / Divulgação
- A votação no STF foi retomada nesta quinta-feira. Ontem, a sessão foi suspensa quando o placar estava em 5 votos a 1 a favor da descriminalização do aborto de fetos anencéfalos Foto: Nelson Jr/STF / Divulgação
- Foto: Terra
- À tarde, quando a maioria dos votos dos ministros era favorável à descriminalização do aborto de fetos anencéfalos, mulheres comemoraram em frente ao STF Foto: José Cruz / Agência Brasil
- Manifestante segura cartaz que apoia luta pelos direitos das mulheres Foto: José Cruz / Agência Brasil

