- Keila Santana
- Direto de Brasília
A oposição disse nesta quarta-feria não aceitar a explicação do governo sobre as causas do apagão que atingiu 18 Estados no mês passado. Durante audiência pública conjunta de comissões da Câmara, o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) disse que a versão de problemas climáticos é muito simplista e que o governo está escondendo falhas na manutenção do sistema de segurança.
"É muito disse-que-me-disse sem apontar um caminho. A sociedade brasileira está insegura em relação às explicações dadas pelo Ministério de Minas e Energia. Não foram convincentes, se eu for convencido do contrário eu me penitenciarei, mas me parece que a questão é de manutenção do sistema", afirmou.
O secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, coordenador de um dos grupos que investigam as causas do blecaute, negou hoje que o desligamento de três linhas de Itaipu e Furnas tenha ocorrido por falha na manutenção dos equipamentos de segurança do sistema de transmissão. "Não existe a hipótese de jogar sujeira para debaixo do tapete. A primeira preocupação ao fazer uma análise dessas é saber se houve problema por falta de manutenção. A empresa que não dá manutenção no seu sistema, paga com perda de receita e, nesse caso, quebra. Esse aspecto da manutenção nos deixa na situação cômoda para afirmar que aqueles isoladores foram testados e atenderam requisitos da norma", disse.
O tucano Vanderlei Macris afirmou que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) havia descartado a hipótese de raios terem provocado o apagão. Mas, segundo o diretor do Operador Nacional do Sistema (ONS), Hermes Chipp, o sistema pode não ter captado todos os raios, já que descargas elétricas menores podem causar o mesmo problema de curto-circuito sem serem registradas. "Há uma chance de 15% de que descargas atmosféricas baixas, com menos 25 kiloamperes, possam ter caído nas linhas de transmissão, sem serem registradas pelo sistema, mas gerando o curto-circuito que desligou os isoladores", disse Chipp.
Macris disse que a explicação de descargas atmosféricas agrava a preocupação com a segurança do sistema. "Isso quer dizer que descargas de menor intensidade podem voltar a ocorrer e o sistema não está protegido de novas situações como essa", disse Macris.
O ONS informou que está enviando propostas para aperfeiçoar a segurança do sistema, mas o diretor disse que não há possibilidade de garantia 100% contra falhas. Segundo Chipp, a única opção de evitar novos blecautes seria investir num sistema de back up, numa duplicação considerada impossível dos transmissores, ou no uso ininterrupto das usinas termelétricas, de alto custo. "Se para evitar racionamento já chiaram com geração térmica, imagina agora que custaria R$ 700 milhões por mês para o consumidor. Não há ninguém que possa afirmar que está 100% seguro", afirmou Chipp.
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que também participou da audiência, disse que o Brasil dispõe hoje de 106 mil megawatts instalados e que os investimentos futuros na área de energia hidrelétrica vão crescer pelo potencial de água que o País tem. "Nós não estamos pensando apenas no hoje, e sim no adiante, para que não sejamos surpreendidos por falta de energia", disse.
Lobão descartou medidas de racionamento de energia no País. "O sistema interligado brasileiro é forte e um dos mais modernos do mundo. Quero afirmar que temos um sistema com energia elétrica abundante, forte e seguro e não temos nenhuma perspectiva de racionamento", afirmou.

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