Carros iluminam avenida Paulista durante apagão
Foto: Moacir Camargo/vc repórter
Os moradores dos pelo menos dezoito Estados brasileiros atingidos pelo apagão na noite desta terça-feira aos poucos perceberam a dimensão do problema.
Segundo Wilson Guardia, de São Caetano do Sul, era grande o número de pessoas nas ruas em busca de explicações para o que estava acontecendo. Desesperadas, a todo custo tentavam usar celulares e telefones públicos, mas tanto os aparelhos fixos como os móveis ficaram sem serviço durante o apagão.
Na avenida Goiás, região central do município, as forças de segurança realizavam várias batidas policiais, segundo Guardia. Pontos de ônibus ficavam cada vez mais lotados e, de acordo com passageiros, algumas linhas haviam parado de circular.
"Eu ainda estava em aula no colégio, em Santo André (SP), quando as luzes se apagam totalmente. Em casos como esses, todos são dispensados. Foi quando saí na rua e vi que o apagão era geral", diz Nathalia Tahira. "Pensei que o mundo ia acabar ontem...", diz.
Por volta das 22h15, Aildo Torres, de Arujá (SP), percebeu que outras pessoas conectadas no MSN em São Paulo e Guarulhos (SP) haviam se desconectado.
Na Mooca, a energia oscilou e logo depois aconteceu o blecaute. "Não conseguimos ver a Penha nem o Tatuapé", contou Paula Damasio sobre os bairros vizinhos. "Apenas vemos os hospitais iluminados pelos geradores e os veículos ligam o farol alto para passar. Em 25 anos nunca vi algo de tamanha grandeza".
No Tatuapé, também na zona leste de São Paulo (SP), por volta das 22h30, o morador Adriano Mendes Caetano tentava dimensionar o problema. "Moro no décimo segundo andar e, até onde posso enxergar, está tudo apagado para todos os lados", conta.
"Estava na escola no momento do apagão, parecia cena de filme de terror", conta Lala, de Carapicuiba (SP). "As luzes começaram a piscar de repente e cada vez ficando mais fraca. Só via luzes de celulares pelos corredores da escola, todos apavorados, uma gritaria só".
"Coincidência ou não, durante o apagão, o céu na região leste da cidade ficou alaranjado e após alguns minutos houve uma explosão seguida de uma enorme labareda", conta Vinícius Fernandes Fantini.
Os parentes e amigos nos bairros e cidades vizinhas foram contatados. Cesar Augusto, que estava em Itaquera, consultou a namorada no Tucuruvi e o irmão no bairro Aricanduva. "Será um blecaute geral novamente?", perguntava. Roberto Vilela, que observava os prédios iluminados por geradores na avenida Paulista, também confirmou o apagão com a tia, que mora em Santos (SP) .
No litoral paulista, os moradores também não sabiam definir o problema. Danielle Vendramini, de Praia Grande (SP), procurou uma internet móvel.
Na região da Granja Viana, em Cotia (SP), onde a maioria das pessoas tinha suas casas iluminadas por geradores particulares, muitos começaram usar o Twitter para se comunicar e comentar o caso, conta Flavio, morador do local.
Em Osasco, também na Grande São Paulo, Leandro Augusto conta que conseguia ver apenas o letreiro da sede de um banco.
Gustavo D'Avila, do Rio de Janeiro (RJ) tentou entrar em contato com a Light, empresa que fornece energia elétrica para grande parte do Estado, mas encontrou as linhas ocupadas. José Carlos Pereira de Carvalho tentou falar pelo celular com a filha, mas a operadora estava sem sinal. "Do prédio onde moro, em Copacabana, dava para escutar gritos de pessoas pedindo ajuda porque estavam presas nos elevadores e o choro de crianças com medo da escuridão", conta. A energia voltou por volta da 1h10, com gritos de comemoração dos moradores.
Na manhã desta quarta-feira, conta José Carlos, as pessoas mostravam apreensão de que o fato volte a se repetir.
Em Sapezal, oeste do Mato Grosso, Rodolfo Gomes conta que ficou sem luz por aproximadamente 30 minutos. "Estava conversando com minha esposa em Londrina (PR) e lá teve queda de energia no mesmo momento que houve a interrupção de luz aqui", conta. Vanderlei Manoel da Silva, morador de Londrina relata a oscilação. "Aqui também houve uma variação na energia elétrica", diz.
Eduardo Augusto Passold, de Florianópolis (SC), conta que, apesar de não ter problemas com o abastecimento, os moradores da cidade perceberam a repentina queda e logo depois a elevação na tensão.
À 0h15, a energia aos poucos foi restabelecida em São Caetano. "Mas à 0h50 a iluminação pública voltou a ser desligada. Dentro das residências, aparelhos eletrônicos e lâmpadas ficaram piscando por aproximadamente um minuto deixando a ideia de que a eletricidade poderia ser interrompida a qualquer momento", conta Wilson Guardia. Por fim, por volta da 1h todas a luzes das ruas foram acesas e os picos de energia dentro das residências cessaram. Ainda segundo Guardia, os problemas telefônicos persistiam até 1h30.
Falta de Luz
Segundo o diretor de Itaipu, Jorge Samek, por volta das 22h30 de terça-feira, todas as 18 unidades geradoras da usina da usina começaram a "rodar no vazio", ou seja, não conseguiam passar eletricidade para a rede distribuidora. O problema atingiu pelo menos 18 Estados: Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Goiás, Acre, Rondônia, Bahia, Sergipe, Paraíba, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte. Em alguns Estados, a situação foi normalizada entre a noite de terça-feira e a madrugada e manhã desta quarta-feira.
Segundo o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, três linhas de transmissão com problemas teriam causado o apagão. De acordo com o secretário, duas das linhas vão do Paraná a Itaberá, no sul de São Paulo, e outra liga Itaberá a Tijuco Preto, também em São Paulo. O problema, afirma Zimmermann, foi possivelmente causado por condições meteorológicas adversas.
Com 20 unidades geradoras e 14 mil megawatts de potência instalada, a usina binacional de Itaipu fornece 19,3% da energia consumida no Brasil e abastece 87,3% do consumo paraguaio. De acordo com o Operador Nacional do Sistema (ONS), cerca de 17 mil megawatts de potência - o equivalente a toda a energia necessária para o Estado de São Paulo - foram perdidos com a pane, o que impossibilitou o fornecimento para as demais regiões.
Os internautas Wilson Guardia, de São Caetano do Sul (SP), Nathalia Tahira, de Santo André (SP), Lala, de Carapicuiba (SP), Aildo Torres, de Arujá (SP), Paula Damasio, Adriano Mendes Caetano, Vinícius Fernandes Fantini, Cesar Augusto, Roberto Vilela, Guilherme Mainieri, Paulo Laizo, David Xavier, Ozival Daniel de Lima, Graziella Pisacane, Karina Lang, de São Paulo (SP), Danielle Vendramini, de Praia Grande (SP), Flavio, de Cotia (SP), Leandro Augusto, de Osasco (SP), Roque e Leandro, de São José do Rio Preto (SP), Nayara Leme, Rodrigo de Oliveira, Ana Carla Portella, Mariana Ferreira, Taís Santos, de Santo André (SP), Regina Balbe, de Mauá (SP), Rafael, de Jundiaí (SP), Gustavo D'Avila e José Carlos Pereira de Carvalho, do Rio de Janeiro (RJ), Rodolfo Gomes, de Sapezal (MT), Augusto Passold, de Florianópolis (SC), e Vanderlei Manoel da Silva, de Londrina (PR), participaram do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.







































































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