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26 de fevereiro de 2012 • 17h18 • atualizado em 27 de Fevereiro de 2012 às 17h19

Antártida: prejuízo para a pesquisa não se recupera, diz professora

Prejuízo para a pesquisa antártica não se recupera, diz professora

Membros da estação de pesquisa brasileira na Antártida chegam a Punta Arenas, no Chile, após incêndio
Foto: Reuters
 
Angela Chagas
Direto de Porto Alegre

A professora Virgínia Petry, do Programa de Pós-Graduação em Biologia da Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos), no Rio Grande do Sul, afirmou na tarde deste domingo que, apesar de o governo brasileiro anunciar a reconstrução da estação destruída após um incêndio na madrugada de sábado, os prejuízos para a pesquisa no continente gelado jamais serão recuperados. "A estrutura física o ministro Amorim (da Defesa Civil) disse que vai ser reconstruída em dois anos, mas o trabalho de todos os nossos pesquisadores durante um ano foi perdido", disse.

"Esse incêndio abre uma lacuna na série temporal de coleta de informações. É um ano que ficamos sem nada, quebra a sequência biologia dos fatos", afirmou ao destacar que isso compromete a eficácia dos estudos liderados pela universidade gaúcha sobre aves marinhas no ambiente terrestre, como pinguins e gaivotas, que na época do verão utilizam a Antártida para reproduzir.

Segundo ela, enquanto a estação não for reconstruída - o que deve levar no mínimo dois anos - as pesquisas deverão ser feitas em bases menores e a partir de navios. "Não será a mesma coisa, nosso principal foco era o local onde estava a estação", completou ao lamentar a morte de dois militares no acidente.

Pesquisadores da universidade chegam neste domingo ao RS
De acordo com Petry, os três biólogos da universidade que estavam na estação - César Rodrigo dos Santos, Gabriela Werle e Aparecida Basler - não tiveram nenhum tipo de ferimento e devem desembargar por volta das 20h30 deste domingo do avião da Força Área Brasileira (FAB) que vai pousar em Pelotas, na zona sul do Estado.

Os três pesquisadores estavam na estação desde 10 de fevereiro e deveriam permanecer no local até o dia 12 de março. De acordo com a professora, outros três alunos permanecem na Antártica, na Ilha Elefante, a 200 km de distância da base que incendiou.

Marinha diz que 70% das instalações ficaram destruídas
Mais cedo, a Marinha brasileira informou em comunicado que uma avaliação preliminar apontou que 70% das instalações da Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) foram consumidas pelo incêndio na madrugada de sábado. "A avaliação preliminar da equipe do Grupo-Base que esteve na estação brasileira indica que aproximadamente 70% das instalações foram destruídas pelo fogo", informou em nota. O prédio principal da estação, onde ficavam a parte habitável e alguns laboratórios de pesquisas, foram completamente atingidos pelo incêndio.

Ainda segundo o órgão, não sofreram danos os refúgios (módulos isolados para casos de emergência), os laboratórios de meteorologia, química e de estudo da alta atmosfera, os tanques de combustíveis e o heliponto da Estação, que são estruturas isoladas do prédio principal.

Terra