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21 de setembro de 2012 • 20h57 • atualizado às 20h58

Air France é condenada a pagar R$ 1,4 mi à família de vítima do voo 447

Destroços da aeronave são retiradas do oceano Atlântico. Acidente vitimou 288 pesoas
Foto: Marinha do Brasil / Divulgação
 

A Justiça do Rio Grande do Norte condenou a companhia aérea Air France a pagar R$ 1.492.800 à família de Soluwellington Vieira de Sá, vítima da queda do voo 447. No acidente, ocorrido em maio de 2009, 288 pessoas morreram. A decisão, assinada pela juíza Welma Maria Ferreira de Menezes, é datada de 30 de agosto.

De acordo com a Justiça, o valor será destinado à viúva e às filhas de Soluwellington. A magistrada também determinou o pagamento de uma pensão, no valor de R$ 4.098,13, à mulher de Sá. O valor corresponde a dois terços do vencimento que a vítima ganhava à época do acidente.

Soluwellington desempenhava a função de comandante de embarcação em uma empresa. No dia do acidente, ele se deslocava para a cidade do Cairo, no Egito, onde trabalharia.

Em sua decisão, a juíza Welma Menezes alegou que as autoras da ação perderam aquele que era mantenedor, marido e pai. "Não consigo imaginar, dentro de um espectro de perdas possíveis que o ser humano experimenta ao longo de sua vida, algo que possa ser mais dolorido, traumático e permanente que a perda de um ente querido, em condições absolutamente terríveis e totalmente desprovidas de meios de defesa da vida", afirmou.

O acidente do AF 447
O voo AF 447 da Air France saiu do Rio de Janeiro com 228 pessoas a bordo no dia 31 de maio de 2009, às 19h (horário de Brasília), e deveria chegar ao aeroporto Roissy - Charles de Gaulle de Paris no dia 1º às 11h10 locais (6h10 de Brasília). Às 22h33 (horário de Brasília) o voo fez o último contato via rádio. A Air France informou que o Airbus entrou em uma zona de tempestade às 2h GMT (23h de Brasília) e enviou uma mensagem automática de falha no circuito elétrico às 2h14 GMT (23h14 de Brasília). Depois disso, não houve mais qualquer tipo de contato e o avião desapareceu em meio ao oceano.

Os primeiros fragmentos dos destroços foram encontrados cerca de uma semana depois pelas equipes de busca do País. Naquela ocasião, foram resgatados apenas 50 corpos, sendo 20 deles de brasileiros. As caixas-pretas da aeronave só foram achadas em maio de 2011, em uma nova fase de buscas coordenada pelo Escritório de Investigações e Análises (BEA) da França, que localizou a 3,9 mil m no fundo do mar a maior parte da fuselagem do Airbus e corpos de passageiros em quantidade não informada.

Após o acidente, dados preliminares das investigações indicaram um congelamento das sondas Pitot, responsáveis pela medição da velocidade da aeronave, como principal hipótese para a causa do acidente. No final de maio de 2011, um relatório do BEA confirmou que os pilotos tiveram de lidar com indicações de velocidades incoerentes no painel da aeronave. Especialistas acreditam que a pane pode ter sido mal interpretada pelo sistema do Airbus e pela tripulação. O avião despencou a uma velocidade de 200 km/h, em uma queda que durou três minutos e meio. Em julho de 2009, a fabricante anunciou que recomendou às companhias aéreas que trocassem pelo menos dois dos três sensores - até então feitos pela francesa Thales - por equipamentos fabricados pela americana Goodrich. Na época da troca, a Thales não quis se manifestar.

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