Brasil

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27 de agosto de 2010 • 07h35 • atualizado às 07h43

'Agora me sinto um cidadão', diz gay autorizado a adotar

Roger Pereira
Direto de Curitiba

Autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a adotar crianças de qualquer sexo e idade, Toni Reis, homossexual assumido, disse que, agora, sente-se um cidadão de verdade. A decisão do STF abre caminho para que outros casais gays obtenham o mesmo direito.

"Como militante, o que vimos dessa decisão foi o cumprimento da Constituição Federal, que é bem clara quando diz que ninguém pode ser discriminado. Agora, sim, me sinto um cidadão, respeitado pela Justiça, vendo o princípio da igualdade sendo cumprido", afirmou Reis, que é presidente do Grupo Dignidade.

Casado com o inglês David Harrad, com quem mora em Curitiba (PR) há 21 anos, Toni Reis vem há seis anos buscando na Justiça o direito à adoção. O processo chegou ao STF após o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) reformar a decisão de primeira instância que restringiu o casal a adotar apenas meninas maiores de 10 anos.

Em decisão do último dia 16, o ministro Marco Aurélio Mello manteve a decisão do tribunal paranaense. "Delimitar o sexo e a idade da criança a ser adotada por um casal homoafetivo é transformar a sublime relação de filiação, sem vínculo biológico, em ato de caridade provido de obrigações sociais e totalmente desprovido de amor e comprometimento", disse em seu despacho.

"Estamos muito felizes, pois poderemos realizar nosso sonho. O sonho da paternidade, o sonho de construir nossa família, do nosso jeito", disse Reis, que está em São Paulo, com retorno para Curitiba previsto para o próximo dia 1º, quando pretende iniciar os trâmites para a adoção.

"Vamos direto visitar a Vara de Infância, para ver se o processo já baixou do STF. Depois, cumpriremos com todo o processo, passando pelas assistentes sociais, pelas psicólogas, tudo dentro da lei", contou Toni Reis, garantindo que não tem preferência por sexo e idade. "Sofremos tanta discriminação nesses anos todos, não vamos ser nós que vamos cometer discriminação querendo escolher sexo ou idade. Vai ser por empatia. Vamos visitar as crianças que estão disponíveis para adoção e a que gostar da gente, e nós dela, será a escolhida", disse.

Especial para Terra