Michelle Sousa
Direto de João Pessoa
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"Está em fase de conclusão e tenho um perito trabalhando nisso exclusivamente. Ele me garantiu que no final de agosto sai. Só de fotos, terá cerca de 3 mil", disse o diretor do IC, José Domingos Moreira.
As primeiras imagens da execução desse trabalho foram divulgadas na demonstração da capacidade do scanner digital durante um evento que reuniu, em João Pessoa, na Paraíba, dirigentes de Institutos de Criminalística de todo o País.
Segundo os representantes das duas empresas que apresentaram o scanner (uma alemã e outra australiana), o levantamento feito em Congonhas de toda a área do acidente da TAM foi realizado em pouco mais de uma hora, enquanto os peritos levaram três dias para concluir esse trabalho.
Na ocasião, foi exibida parte da animação feita a partir do escaneamento da área do acidente, onde houve a captação de imagem de um outro avião para simular o acidente em 3D. A idéia foi mostrar como foi o trabalhado de levantamento da área no aeroporto de Congonhas.
As imagens
Segundo os técnicos, a animação mostra a aeronave em movimento desde a tentativa de pouso até o momento do impacto e explosão. Foram feitos quatro escaneamentos da pista de maneira que toda a área do aeroporto de Congonhas foi levantada topograficamente.
Como o equipamento é capaz de registrar uma fotografia da cena do acidente (ou crime) em três dimensões, incluindo detalhes milimétricos mesmo sem luz, o resultado disso é mais rapidez para o trabalho de levantamento do perito. Após o escaneamento, por meio da computação gráfica, esse profissional é capaz de fazer todas as medições necessárias, além de simular situações para apontar as conclusões de como o fato aconteceu.
É por isso que a nova tecnologia traz a possibilidade de tornar comum, e de forma mais rápida, vídeos com animações como o que foi produzido no caso da morte da menina Isabela Nardoni, que durou 38 dias para ser feito. "O equipamento faz uma passagem de 500 mil pontos por segundo e em três minutos você tem todo o croqui em 3D de uma cena de crime, com todas as medidas e precisões", explicou o diretor do Instituto de Criminalística do Distrito Federal, Celso Nenevê, que apresentou a novidade durante palestra.
Economia
Nenevê disse que, por meio da computação gráfica, o Estado economizará, e que a Justiça vai sentir a diferença na hora dos julgamentos. "Hoje nós produzimos laudos com 800, 900 páginas, dependendo do caso. Aquele que julga não tem tempo de ler isso. Quando você produz através de 3D, essa imagem de cinco a dez minutos em um CD dá àquele que julga toda a riqueza de detalhe que o perito quer mostrar.
Para o diretor do IC de São Paulo, José Domingos Moreira, o equipamento traria uma agilidade impressionante, mas ele discorda que possibilitaria mais precisão. "Você reduziria a quantidade de vezes que iria ao local do crime para fazer medições, fotografias e outros levantamentos.
Devido ao valor, o scanner pode demorar a virar realidade no País. O sub-secretário nacional de Segurança Pública, Guaracy Mingardi, disse que poucos Institutos de Criminalística teriam condições de operar o equipamento, a exemplo de São Paulo, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Para ele, a secretaria precisa equalizar primeiro as condições das coisas mínimas.
Nenevê, no entanto, é otimista. Acredita que apresentar a nova tecnologia no evento pode aproximar as chances de aquisição da máquina. "Toda longa caminhada começa com o primeiro passo."
Redação Terra
O levantamento feito em Congonhas foi realizado em pouco mais de uma hora
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