Tragédia em Congonhas

Tragédia em Congonhas

Sábado, 19 de julho de 2008, 14h24 Atualizada às 14h41

Delegado: Denise diz que pista estava em condições

O delegado Antonio Carlos Barbosa, que preside o inquérito que investiga as causas do desastre da TAM, afirma que a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), disse, em depoimento por carta precatória de Brasília, que a pista de Congonhas, na zona sul de São Paulo, "foi liberada porque estava em condições de operar". O depoimento de Denise, que, de acordo com o delegado, já está anexado ao inquérito junto ao de outras 309 pessoas envolvidas na tragédia, ainda contesta a validade jurídica da norma que proíbe o pouso de aviões naquele aeroporto sem o reversor com pista molhada. Um ano após o acidente da aeronave, o inquérito soma mais de 50 volumes, com 13 mil páginas.

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O vôo JJ3054 da TAM saiu do aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre (RS), no dia 17 de julho do ano passado, e pousaria no aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. A aeronave atravessou a pista e colidiu contra o prédio da TAM Express, após passar a poucos metros dos carros que circulavam pela avenida Washington Luís, matando 199 pessoas e deixando ao menos 15 feridos.

A defesa da ex-diretora da Anac apresentou uma petição com documentos que "dariam sustentação" às suas alegações, de acordo com Barbosa. A pista teria sido liberada após inspeção e a norma que proíbe o pouso com o reverso pinado não teria validade. "Nunca dicutimos a validade jurídica da norma, ela estava em vigor e as agências tinham conhecimento disso", disse Barbosa.

O laudo feito pela Diretoria de Engenharia da Aeronáutica (Direng) apontou que a macrotextura do asfalto do aeroporto estava no limite dos padrões mínimos de segurança no dia so desastre.

Ao final da investigação, que deve ser concluída apenas após o laudo pericial ser encerrado, a polícia espera indiciar de sete a dez pessoas por homicídio culposo e lesão corporal culposa. Barbosa afirma que, até o momento, não há indícios de dolo eventual.

"Não podemos afirmar que algum dos agentes tenha assumido o risco de produzir o desastre", disse. De acordo com o perito técnico do instituto de criminalística, Antônio Nogueira, não foi encontrado nenhum vestígio que indique defeito no manete do avião.

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