Atualizada às 12h12
Fabiana Leal
Direto de Porto Alegre
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"Foi um ano sofrido. Muito demorado tudo. Nunca imaginávamos que além da dor da perda tivesse todo esse transtorno. É uma espera muita difícil. Felizmente, formamos essa associação, com um monte de gente maravilhosa. Acho que é isso que está segurando todo mundo. Temos contato com por e-mail, pelo blog. O blog dá suporte. Abrimos ele todos os dias - de duas a quatro vezes. quando um demora para aparecer, logo queremos saber notícias. É como se fosse a nossa família", disse Anna Maria Finzsch, mãe de Peter Finzsch, 28 anos, que estava no vôo JJ3054. Segundo Anna Maria, o vôo do filho era mais tarde, mas como chegou cedo ao Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, e tinha lugar, decidiu antecipar a viagem.
Segundo Anna Maria, pelo blog, eles divulgam tudo o que sai na imprensa. "Se surgiu alguma notícia, se aconteceu alguma coisa com a TAM, tudo a gente encontra lá."
Impunidade
De acordo com Anna Maria, a notícia que ela sonha em ouvir, quer receber pessoalmente - a da conclusão do inquérito. "Que apareçam os culpados e que sejam punidos. Tememos a impunidade. A morte deles não pode ter sido em vão."
Após um ano do acidente, Ana Behs, madrasta de Rebeca Haddad, 14 anos, que estava no vôo da TAM, e faz parte da Associação dos Familiares e Amigos de Vítimas do Vôo TAM JJ3054 (Afavitam), disse que "hoje é mais complicado ainda. A vida dessas pessoas está de pernas para o ar. Muita gente foi demitida ou pediu demissão. Economicamente, as famílias estão abaladas. Tem gente que largou tudo. Perdeu o ritmo normal da vida. Nos sentimos diferentes de todo mundo, porque estamos num ritmo fora do ritmo da sociedade", afirmou.
"Um ano depois, uma das primeiras coisas que a gente escuta quando alguém morre, é que tem de esquecer e voltar para a vida. Nós não podemos esquecer. Temos de lembrar todos os dias. Não podemos nos recolher para curar essas feridas. Essas reuniões todos os meses, mantém abertas essas feridas", disse Ana.
Ela afirmou que foi muito difícil ouvir da CPI do Apagão Aéreo e depois da polícia que o responsável por medir a quantidade de água na pista do aeroporto não desceu do carro no dia do acidente. "Não imagina como foi para as famílias. Olha a responsabilidade que está na mão dele. Não estou com saco e não quero me molhar."
"Quando a gente deveria estar esquecendo, hoje somos forçados a lembrar. Se não tivéssemos em cima até hoje, cobrando, fazendo manifestações, esse inquérito até poderia ter sido arquivado. Mas acredito que não, pelo comprometimento do delegado (Antonio Carlos Barbosa, do 27º Distrito Policial). Se a gente se manteve presente, alerta, foi porque nós não podíamos agir de outra maneira. Às vezes, nossas próprias famílias não entendem. Acham que a gente sofre muito e a gente sofre muito mesmo. As reuniões funcionam como uma terapia de grupo. A associação tem um blog, em que um ajuda o outro. Um apóia o outro. Só aquelas pessoas entendem o que eu estou sentindo", afirmou Ana.
Redação Terra