Atualizada às 12h11
Fabiana Leal
Direto de Porto Alegre
Dario Scott, pai de Thaís Volpi Scott, 14 anos, que morreu há um ano, no vôo JJ3054 da TAM, no dia 17 de julho do ano passado, na zona sul de São Paulo, diz que os familiares das vítimas estão "condenados a uma pena perpétua". A aeronave da empresa não conseguiu pousar e cruzou a avenida Washington Luís e colidiu contra o prédio da TAM Express. Na ocasião, 199 pessoas morreram.
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"Nós, familiares, estamos condenados a uma pena perpétua. Ausência da minha filha, vou levar pra o resto da minha vida. A minha pena é perpétua, mas a impunidade não. Ela tem de ter um fim. O que estamos fazendo hoje não trará a minha filha de volta. Mas estamos fazendo isso para que não haja nenhuma outra associação de vítimas de acidentes aéreos. Precisamos ter um transporte aéreo confiável", disse Scott.
Thaís,que estava em férias do colégio, viajava para São Paulo para encontrar os avós. Com ela, estava a amiga e colega Rebeca Haddad, 14 anos.
"Imagina a minha mulher. Ela que iria estar ajudando a escolher o vestido da festa de 15 anos - em fevereiro -, em julho ter de escolher um caixão.Perder a vida bestamente, isso não tem como eu expressar. Eu não sei ainda como conseguimos sobreviver um ano."
"Estamos há um ano tentando juntar as provas e já temos bastante coisa dentro do inquérito. Pessoas serão indiciadas, pelo que já falaram. Temos de acabar com a impunidade nesse País. Os empresários têm de pagar pelo risco que assumiram".
Segundo Scott, a associação entregou no dia 28 de fevereiro ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, uma carta com diversos questionamentos e ainda aguarda uma resposta.
"O que precisamos realmente é de ação. É que esses órgãos atuem. Façam o que lhes cabe", disse Scott.
"Para a TAM, nada substitui o lucro. Pra nós, essa empresa não está trabalhando corretamente. Vida não tem preço. Eles transportam vidas. A norma da Anac não foi respeitada para abrir o aeroporto (sem estar completa as obras do grooving, ranhuras na pista que ajudam no escoamento da água e na frenagem das aeronaves). Era de conhecimento de todas as companhias. A TAM tinha relatórios de perigo e não tomou nenhuma providência. Pousar sem um reverso estar operando, é muita irresponsabilidade."
Segundo Scott, nesse um ano houve "muita desconsideração por parte do governo federal". "Não gostaria de tapinhas nas costas, mas que ele atue mais. A nossa vida mudou, mas a vida da companhia não mudou nada."
Redação Terra
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