Tragédia em Congonhas

Tragédia em Congonhas

Quarta, 18 de julho de 2007, 11h59

Para especialistas, pista teria causado acidente

Pelo menos três fatores técnicos relativos à pista principal do Aeroporto de Congonhas estão sendo considerados por especialistas como possíveis causas do acidente com o vôo 3054 da TAM, que nesta terça-feira chocou-se contra um depósito da própria TAM, depois de não conseguir concluir o pouso e atravessar a avenida Washington Luiz. Estima-se pelo menos 200 vítimas fatais, entre passageiros e pessoas que estavam no prédio e arredores do local do choque.

» Veja mais fotos
» Veja o local do acidente
» Veja lista de passageiros e empregados
» Opine sobre o acidente
» Mande mensagens aos familiares
» vc repórter: mande fotos e relatos

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Transporte Aéreo (SBTA), Anderson Correia, os dois principais fatores seriam a extensão, considerada pequena, da pista principal do Aeroporto Internacional de Congonhas, na zona sul de São Paulo, e a falta de áreas de parada que permitam a um avião de grande porte reduzir a velocidade antes de parar completamente.

"Esse aeroporto, como todos sabem, tem uma certa limitação, tanto no tamanho quanto na qualidade da pista. A princípio, a gente pode afirmar que essa pode ter sido a principal causa do acidente", afirmou Correia. "Um avião como o Airbus 320, ao pousar, pode não ter o espaço necessário para frear", acrescentou.

O terceiro fator, citado por Correia e também pelo especialista em aviação civil e comercial Valtécio Alencar, seria a falta de ranhuras para o escoamento de água na pista em dias de chuva. Segunda a Infraero, de fato, as obras para reduzir o risco de derrapagem ainda estavam sendo feitas durante a madrugada, com a pista em funcionamento durante o dia.

Além destes três aspectos, o presidente do Sindicato Nacional dos Pilotos de Aviação Civil (Sinpac), Hugo Stringhini, observa ainda a possibilidade de ter havido um problema no sistema da própria aeronave, um Airbus 320. Stringhini acredita na possibilidade de o comandante ter tentado um procedimento emergencial de toque e arremetida, que não foi "entendido" pelos computadores do avião. Em suas palavras, este seria um problema de "excesso de tecnologia" que, aliado à falta de ranhuras, pode ter sido decisivo para o acidente.

Alencar atribui à falta de ranhuras o maior peso entre as possíveis causas: "Uma coisa é pousar no Aeroporto Santos Dumont, que não tem ranhuras, mas está ao nível do mar. Outra coisa é pousar em Congonhas que está 860 metros acima do nível do mar". Segundo ele, com altitude maior, o ar fica mais rarefeito, o que exige "mais pista ou então mais recursos de frenagem para a aeronave".

O problema da pista, porém, seria conhecido pelos pilotos. Um controlador de vôo da torre de Congonhas disse, momentos depois do acidente envolvendo uma aeronave da TAM, que desde segunda-feira havia um aviso para os pilotos sobre as condições da pista do aeroporto de Congonhas, que estava escorregadia devido à chuva. Esse mesmo controlador afirmou que o procedimento de pouso do Airbus 3020 estava sendo realizado com normalidade, sem registro de qualquer ação de emergência.

Anderson Correia confirma que a falta de aderência da pista era um problema que já preocupava os pilotos em dias de chuva: "Alguns pilotos comentavam que a pista não tinha o grooving ranhuras para escoamento da água. De qualquer forma, não dá para afirmar ainda que as ranhuras seriam capazes de aumentar o atrito e impedir o acidente. Mas os pilotos têm feito essa reclamação".

Segundo a Rádio CBN, no entanto, informações não-oficiais sobre a perícia informal realizada em Congonhas pela Aeronáutica nesta manhã indicam que o piloto teria passado do ponto correto de aterrissagem. Outra informação extra-oficial dá conta de que não há marcas na pista, o que levaria a crer que o avião não chegou a derrapar.

Com agências

  • Imprima esta notícia
  • Envie esta notícia por e-mail

Busca

Busque outras notícias no Terra: