
Para o presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Transporte Aéreo (SBTA), Anderson Correia, os dois principais fatores seriam a extensão, considerada pequena, da pista principal do Aeroporto Internacional de Congonhas, na zona sul de São Paulo, e a falta de áreas de parada que permitam a um avião de grande porte reduzir a velocidade antes de parar completamente.
"Esse aeroporto, como todos sabem, tem uma certa limitação, tanto no tamanho quanto na qualidade da pista. A princípio, a gente pode afirmar que essa pode ter sido a principal causa do acidente", afirmou Correia. "Um avião como o Airbus 320, ao pousar, pode não ter o espaço necessário para frear", acrescentou.
O terceiro fator, citado por Correia e também pelo especialista em aviação civil e comercial Valtécio Alencar, seria a falta de ranhuras para o escoamento de água na pista em dias de chuva. Segunda a Infraero, de fato, as obras para reduzir o risco de derrapagem ainda estavam sendo feitas durante a madrugada, com a pista em funcionamento durante o dia.
Além destes três aspectos, o presidente do Sindicato Nacional dos Pilotos de Aviação Civil (Sinpac), Hugo Stringhini, observa ainda a possibilidade de ter havido um problema no sistema da própria aeronave, um Airbus 320. Stringhini acredita na possibilidade de o comandante ter tentado um procedimento emergencial de toque e arremetida, que não foi "entendido" pelos computadores do avião. Em suas palavras, este seria um problema de "excesso de tecnologia" que, aliado à falta de ranhuras, pode ter sido decisivo para o acidente.
Alencar atribui à falta de ranhuras o maior peso entre as possíveis causas: "Uma coisa é pousar no Aeroporto Santos Dumont, que não tem ranhuras, mas está ao nível do mar. Outra coisa é pousar em Congonhas que está 860 metros acima do nível do mar". Segundo ele, com altitude maior, o ar fica mais rarefeito, o que exige "mais pista ou então mais recursos de frenagem para a aeronave".
O problema da pista, porém, seria conhecido pelos pilotos. Um controlador de vôo da torre de Congonhas disse, momentos depois do acidente envolvendo uma aeronave da TAM, que desde segunda-feira havia um aviso para os pilotos sobre as condições da pista do aeroporto de Congonhas, que estava escorregadia devido à chuva. Esse mesmo controlador afirmou que o procedimento de pouso do Airbus 3020 estava sendo realizado com normalidade, sem registro de qualquer ação de emergência.
Anderson Correia confirma que a falta de aderência da pista era um problema que já preocupava os pilotos em dias de chuva: "Alguns pilotos comentavam que a pista não tinha o grooving ranhuras para escoamento da água. De qualquer forma, não dá para afirmar ainda que as ranhuras seriam capazes de aumentar o atrito e impedir o acidente. Mas os pilotos têm feito essa reclamação".
Segundo a Rádio CBN, no entanto, informações não-oficiais sobre a perícia informal realizada em Congonhas pela Aeronáutica nesta manhã indicam que o piloto teria passado do ponto correto de aterrissagem. Outra informação extra-oficial dá conta de que não há marcas na pista, o que levaria a crer que o avião não chegou a derrapar.
Com agências
Redação Terra