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Bradesco lucra R$2,9 bi no 3o tri e vê retorno de 18% a 20%

Por Cesar Bianconi

SÃO PAULO, 22 Out (Reuters) - O Bradesco teve lucro praticamente estável no terceiro trimestre, dando um sinal concreto de que está surtindo efeito a ofensiva de bancos públicos pela redução de juros e tarifas bancárias, em uma ação orquestrada pelo governo federal.

O segundo maior banco privado do país divulgou lucro recorrente, que exclui itens extraordinários, de 2,893 bilhões de reais de julho a setembro, alta de cerca de 1 por cento na comparação anual e trimestral. A cifra veio em linha com a média das estimativas de analistas de ganho de 2,876 bilhões de reais, segundo pesquisa Reuters.

"O resultado para o período, considerando-se o cenário atual, foi um bom resultado", disse o diretor executivo e de Relações com Investidores do Bradesco, Luiz Carlos Angelotti, nesta terça-feira, referindo-se à morosidade da economia brasileira ainda no terceiro trimestre e ao ambiente de competição bancária.

O retorno anualizado sobre o patrimônio, importante medida da rentabilidade de bancos, ficou em 19,9 por cento no terceiro trimestre --queda de 2,5 pontos percentuais sobre um ano antes e de 0,7 ponto contra o segundo trimestre.

Angelotti disse que o indicador deve ficar entre 18 e 20 por cento daqui para frente, algo que o executivo chamou de "um patamar razoável". Alguns anos atrás, os grandes bancos no Brasil chegaram a ter retorno sobre o patrimônio perto de 30 por cento.

A queda do índice tem sido resultado da redução da taxa Selic --que diminui as margens com juros-- e da necessidade de os bancos privados cortarem tarifas e juros para acompanhar o movimento liderado pelo Banco do Brasil e Caixa para reduzir o custo do dinheiro aos tomadores e estimular a economia.

A carteira de crédito do Bradesco terminou setembro em 371,7 bilhões de reais, crescimento de 11,8 por cento em 12 meses e de 1,8 por cento sobre junho. A expansão foi puxada sobretudo pela oferta de empréstimos a empresas. Para pessoas físicas, os destaques foram financiamento imobiliário e consignado.

Para atingir o piso de sua meta de expansão dos financiamentos em 2012, de uma faixa de 14 a 18 por cento, o Bradesco precisará ampliar o crédito em 22,4 bilhões de reais apenas no quarto trimestre, depois dos 26 bilhões de reais nos nove primeiros meses do ano.

"Entendemos que este quarto trimestre é um mais forte para a economia", disse Angelotti. "Devemos chegar ao patamar pelo menos inferior (da meta de expansão do crédito)", acrescentou.

Ele evitou dar uma estimativa para 2013, mas citou que o sistema financeiro, de maneira geral, deve crescer no crédito entre 12 e 15 por cento. E sinalizou que o Bradesco estará preparado para competir com os rivais de modo a manter seu market share.

"A nossa competitividade deve aumentar no próximo ano com economia mais aquecida e inadimplência em queda... Temos como competir de forma mais forte", disse o executivo, sem elaborar.

Em relatório a clientes, o analista Jorg Friedmann, do Bank of America Merrill Lynch, disse que o resultado do Bradesco no terceiro trimestre evidencia as dificuldades para o setor financeiro elevar o lucro. "O Bradesco gerenciou a ligeira alta de seu lucro com bom controle de custos e provisões que vieram menores (na base trimestral)", escreveu o analista.

As provisões do Bradesco para maus pagadores foram de 3,303 bilhões de reais de julho a setembro, alta de 18,9 por cento contra o mesmo período de 2011. Em relação ao segundo trimestre deste ano, contudo, houve diminuição de 3,1 por cento.

A ação do Bradesco caía 1,61 por cento às 14h06, desempenho pior que o de papéis de outros bancos na bolsa paulista. O Ibovespa, no mesmo horário, cedia 0,07 por cento.

INADIMPLÊNCIA EM QUEDA

A inadimplência --medida por operações com atraso acima de 90 dias-- ficou em 4,1 por cento no terceiro trimestre, piora em relação aos 3,8 por cento um ano antes, mas melhora de 0,1 ponto percentual na comparação com junho de 2012.

O banco espera que a inadimplência termine o ano em 3,9 por cento ou 4 por cento, e que continue a cair de forma gradual em 2013.

As receitas com prestação de serviços ficaram em 4,438 bilhões de reais no trimestre encerrado em setembro, com variação positiva de 14,5 por cento ano a ano e de 3,7 por cento no trimestre.

Primeiro grande banco brasileiro listado em bolsa a divulgar resultados do terceiro trimestre, o Bradesco tinha no fim de setembro ativos totais de 856,288 bilhões de reais, alta de 18,6 por cento em um ano.

A instituição terminou o terceiro trimestre com índice de Basileia de 16 por cento, que se compara ao mínimo de 11 por cento exigido pelo Banco Central.

O lucro contábil nos três meses até setembro totalizou 2,862 bilhões de reais, contra 2,815 bilhões de reais em igual período de 2011 e comparado a 2,833 bilhões de reais no segundo trimestre deste ano.

De janeiro a setembro, o lucro ajustado foi de 8,605 bilhões de reais e o contábil de 8,488 bilhões de reais, ambos crescendo ao redor de 2 por cento contra igual intervalo em 2011.

(Reportagem adicional de Guillhermo Parra-Bernal)

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