O presidente da República da Itália, Giorgio Napolitano, anunciou nesta sexta-feira que encarregou o líder da esquerda, Pier Luigi Bersani, de formar um governo para tirar a Itália do atoleiro político no qual se encontra, após os complexos resultados das eleições legislativas de fim de fevereiro, que não tiveram um claro vencedor.
Bersani, líder do Partido Democrático, aliado da formação de extrema esquerda Sel, que obteve a maioria absoluta na Câmara de Deputados, mas não no Senado, necessária para conquistar a confiança do Parlamento e poder governar, afirmou que tentará ser equilibrado e ponderado em suas decisões.
"Eu levarei o tempo necessário, é uma situação difícil", reconheceu Bersani, que prometeu um governo que promoverá "mudanças e reformas, entre elas a do sistema político", afirmou.
Bersani não quis aliar-se à direita do ex-primeiro-ministro e magnata das Comunicações Silvio Berlusconi, mas também conseguiu o apoio do Movimento 5 Estrelas, do irreverente humorista "antissistema" Beppe Grillo, inesperadamente convertido em líder da terceira força política do Parlamento.
A instabilidade política da terceira economia da zona do euro gera preocupação em todo o Velho Continente em pleno abalo causado pela crise no Chipre.
Na véspera, Grillo pediu ao presidente italiano que fosse encarregado da formação do novo governo, afirmando que as últimas eleições legislativas haviam o tornado o seu movimento a "maior força política do país por número de votos obtidos".
"Por essa razão, pedimos oficialmente um mandato para formar um governo e colocar em andamento nosso programa", declarou à imprensa a presidente dos deputados do M5S, Roberta Lombardi, após uma reunião com o presidente Giorgio Napolitano, que contou com a participação de Beppe Grillo.
O M5S obteve o maior número de votos nas eleições legislativas de 24 e 25 de fevereiro, mas terminou como a terceira força parlamentar, atrás das coalizões de esquerda de Bersani e de direita de Silvio Berlusconi.
Com a designação de Bersani, Napolitano tenta resolver a complexa situação antes que termine sua mandato, em 15 maio, também alvo de negociações secretas entre os partidos.
Há várias semanas Bersani tenta em vão obter o apoio de Grillo, porta-voz dos indignados italianos.
O programa de governo de Bersani é limitado e inclui uma redução do número de parlamentares, uma das maiores exigência do Movimento 5 Estrelas.
A Itália está sem uma maioria clara em um contexto de recessão e alto endividamento, e com a Comissão Europeia pedindo que mantenha as reformas econômicas e de austeridade empreendidas pelo gabinete anterior do tecnocrata Mario Monti.
Já Grillo afirmou em seu blog que seu movimento não apoiará o gabinete de outro partido, nem liderado por um técnico ou um pseudotécnico, depois de realizar consultas com Napolitano.